Desclassificação da Linha do Tua “não é a atitude correta para com o povo transmontano”.

Desclassificação da Linha do Tua “não é a atitude correta para com o povo transmontano”.

“Um golpe que não se justifica” e uma atitude que “não é a correta para com o povo transmontano”.

O Movimento Cívico já reagiu à desqualificação de dois troços da Linha do Tua, entre a Estação do Tua e a Barragem de Foz Tua, e entre Brunheda e Mirandela. Deixam deste modo de pertencer à rede ferroviária nacional. Filipe Esperança não vê justificações para esta decisão do Governo.

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“Aparentemente, foi a última machadada na Linha do Tua. É um golpe que não se justifica de maneira nenhuma, e não é, de todo, uma atitude correta para com o povo transmontano.

Depois de tudo que a Linha do Tua já passou, depois de terem sido, em 1990, encerrados tantos quilómetros de linha ferroviária no distrito de Bragança, pela história, pela cultura,  até mesmo a própria necessidade que as pessoas têm de se movimentar, não é a atitude correta, e acaba por descartar as responsabilidades do Governo para um agente que só tem interesses económicos na região.”

Esta decisão foi considerada, em Conselho de Ministros, indispensável para que fosse implementado o Plano de Mobilidade previsto para o Tua. O presidente do Movimento Cívico pela Linha do Tua considera que o povo vai perder o “direito de reclamar”, caso o dito Plano de Mobilidade não satisfaça as necessidades das populações.

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“O povo perde o direito à reclamação, expondo de uma maneira muito prática e breve.

A Linha do Tua, neste momento, vai passar a pertencer à Douro Azul, do empresário Mário Ferreira,  que quer explorá-la. O que vai acontecer é, se a empresa assim o entender, a linha passa a ter uma utilização única e exclusivamente turística, que até pode ser sazonal.

Ou seja, os habitantes que ainda hoje são servidos pelo Metro de Mirandela, por exemplo, nas aldeias de Frechas, Cachão e em Carvalhais, e os estudantes  da região, se a empresa Douro Azul assim o entender, e vir que só obtém rentabilidade através da oferta turística sazonal, deixa de prestar o serviço. E nós, o povo, não temos, sequer, a quem reclamar. Não temos a quem dizer “precisamos aqui do comboio”, de algo que é nosso, é público, e que pagamos por anos com os nosso impostos.

Perdemos esse direito, por a Linha do Tua foi vendida e desclassificada. A situação é grave, e é uma machadada que não é correta para com a região. O desenvolvimento não passa por aqui.”

Filipe Esperança diz ainda que também a situação do metro de superfície, que percorre ainda 16km da linha centenária, pode ficar comprometida.

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“Não sabemos em que ponto fica o Metro de Mirandela. Até à data, ainda não se pronunciaram sobre isso. Sabemos que o Metro existir graças a um pequeno subsídio  assegurado pelo Estado. Agora não sabemos como vai ficar até que o Plano de Mobilidade entre em ação.

É preocupante esta situação, para aqueles que estão dependentes deste transporte.”

Filipe Esperança repudia de igual modo adjetivos como “inútil” e “insustentável”, que foram usados no documento que emanou do Governo. Na sua opinião, a linha ferroviária sempre foi “mal gerida pela CP”, com “manipulação de horários e “faltas de manutenção” constantes, o que tornou as viagens naquela via obsoletas. Como exemplo daquilo que poderia ser um outro futuro para a Linha do Tua, Filipe Esperança lembra que “o metro só circula em 16km, e dá lucro há 4 anos consecutivos”. Por isso, até para fins turísticos, poderia acontecer ao Tua aquilo que aconteceu “a parte da Linha do Douro”. Considera ainda que, mesmo a linha sendo explorada por outra entidade, não seria necessário desqualificação, até porque há casos idênticos no país, onde a CP partilha a gestão dos troços.

O Movimento Cívico pela Linha do Tua promete mantém “a vontade de lutar e de recordar aquilo que o comboio deu à região”, afirma sem hesitação o líder do movimento popular. Por isso, as iniciativas para exaltar os 129 anos de história da Linha do Tua vão continuar, o mais conhecido o Entrar na Linha, que vai para o quarto ano.

Escrito por ONDA LIVRE

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1 Comment

  1. MANUEL DA COSTA
    06/09/2016 at 08:37 Reply

    Tudo o que de mal se vai passando em Portugal, possivelmente não aconteceria num País Civilizado, com governantes (e não governados), competentes e respeitadores dum Povo que os sustenta com seus impostos.
    Infelizmente e desde 1974, o Povo não só foi enganado, uns com promessas e outros espreitando e até conseguindo, satisfazer na sua ganância de oportunismo desmedido e desonesto, que consente todo o tipo de atitudes, desde o serem roubados pelos Bancos e pelos Governantes.
    Essa injustificada barragem, nunca teria sido erguida, se Um Povo Digno da sua História assim o entendesse, e o trabalho dos seus antecessores fosse respeitado.

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