Fica o desafio de levar os ex-combatentes às escolas, para partilharem memórias

Fica o desafio de levar os ex-combatentes às escolas, para partilharem memórias

Fazer perdurar a memória daqueles que combateram por Portugal, na I Grande Guerra e nas guerras ultramarinas.

Um desejo comum que foi focado no 6º aniversário do Núcleo da Liga dos Combatentes de Macedo de Cavaleiros.

O presidente nacional da Liga, Chito Rodrigues, nas comemorações na Praça dos Combatentes, inaugurada há um ano, disse que gostava de ver os mais jovens e a população em geral a participar nestas cerimónias.

reduzido 3

Gostaria de ver aqui juventude, as escolas, a população. Essa população transmitindo força ao município e ao seu presidente pelo esforço que fizeram aqui e pelo entendimento da homenagem que aqui prestamos, que é garantir que a memória do sacrifício, da determinação, em momentos difíceis do país, do que aconteceu (e pode vir a acontecer), não é esquecida.

Uma realidade que pode estar prestes a mudar. Duarte Moreno, após escutar estas preocupações, que fizeram parte do discurso oficial de Chito Rodrigues, disse que vai desafiar os ex-combatentes e as escolas, para não deixar esquecer o passado.

reduzido 3

Vou fazer esse desafio ao presidente da Liga, que através da sua associação, a Liga dos Combatentes, e através dos combatentes que, como vimos, estavam ali (na cerimónia) 30. Ainda temos muito combatentes no nosso concelho. Falando com o Agrupamento de Escolas, obviamente, que possam designar um dia, uma hora, para poderem falar do que era a vida militar, do que era viver e sair de casa dos pais. Muitos, foi a primeira vez que saíram de casa.

O presidente do Núcleo macedense, António Batista, também lamenta o absentismo jovem e um certo desconhecimento que considera que ainda há. Quanto ao desafio, é uma ideia que já está na forja.

reduzido 3

Era necessário que os nossos filhos, netos e bisnetos soubessem qual foi o nosso papel na História de Portugal. Isto é, fomos militares, guerreiros, andamos na guerra. É de lamentar que esses nossos filhos, netos e bisnetos não tenham a mínima noção do que os progenitores foram. O que o pai, o avô e o bisavô foram e representaram para o país.

Porque, quer queiram ou não, quer gostem ou não gostem, nós fomos combatentes de Portugal.

(Quanto ao desafio) é uma ideia que está na forja. Vamos desenvolvê-la e concretizá-la. Depois das férias, mal comece o ano, tenho intenções de visitar as nossas escolas.

Do Canadá, com Pedro Correia, chega o exemplo. Pela primeira vez em Macedo de Cavaleiros, este açoriano que combateu em Angola e agora radicado em Winnipeg, onde é presidente do Núcleo da Liga dos Combatentes local, explicou que é ensinado nas escolas o que são e quem são estes veteranos de guerra.

reduzido 3

Nós no Canadá vamos às salas de aula falar do que é um veterano e o que passou na guerra. E as crianças já se vão habituando à ideia do que é um veterano e de quem se bateu pela pátria. Neste caso, os veteranos portugueses estão integrados com as forças canadianas e temos uma boa aceitação.

Um grande reconhecimento, não tanto político. A única coisa que temos é reconhecimento do nome de Portugal e da bandeira portuguesa.

António Batista ressalvou que no Colégio de Chacim esta prática já acontece, e que nela costuma participar. Pode agora vir a ser alargada a outras instituições.

No concelho macedense, há mais de 100 membros da Liga dos Combatentes ativos. Ao todo, contudo, haverá cerca de 300 ex-combatentes, alguns deles envoltos em problemas de saúde, decorrentes não só da idade que avança, mas também com o chamado stress pós traumático, resultante das vivências da guerra.

Escrito por ONDA LIVRE

Relacionados

Comentar

css.php