Há mais vinho em Trás-os-Montes. Muito é produzido por jovens

Há mais vinho em Trás-os-Montes. Muito é produzido por jovens

Esta quarta-feira, foram entregues, pelo sexto ano, prémios do Concurso Vinhos de Trás-os-Montes. Este ano, aconteceu em Macedo de Cavaleiros.

Um setor que tem vindo a aumentar. Mais vinhos no mercado, cultivados ,sobretudo, por jovens, que deixam um sinal mais neste investimento, Tânia Rei.

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Vinhos transmontanos, cada vez com mais qualidade e cada vez com mais produtores.

É uma realidade não só da região de Trás-os-Montes, mas em todo o país. A exportação tem apresentado um sinal mais, diz Frederico Falcão: “É um setor que exporta cada vez mais, que tem o mercado interno também a crescer. Não só em quantidade, mas também em preço”. O presidente do Instituto da Vinha e do Vinho considera que agora o desafio é tornar o setor mais rentável, já que em Portugal “há margem para subir o preço, sem ser de forma exagerada, para patamares mínimos de rentabilidade”.

Declaração na VI Cerimónia de Entrega de Prémios do Concurso Vinhos de Trás-os-Montes deste ano, que decorreu em Macedo de Cavaleiros, com a Albufeira do Azibo como pano de fundo.

Uma edição recorde em termos de participantes. 103 vinhos de 45 produtores. Francisco Pavão, presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes, que organiza o concurso, deixa dados que podem explicar o aumento da adesão: há mais produtores, sobretudo jovens. “Temos produtores que pela primeira vez entregaram o seu vinho a concurso”, diz Francisco Pavão, que fala do aparecimento de “cada vez mais novos produtores, sobretudo jovens”.

Frederico Falcão revela uma tendência semelhante. Mais marcas, mesmo sendo um mercado difícil, “atomizado” e onde “a concorrência é grande”. A parte positiva é o aumento no consumo que se tem verificado. Olhando para a realidade da Comissão Vitivinícola, 10 novos investidores arriscam a cada ano. “O vinho está na moda, e tanto o podemos beber a uma refeição como numa discoteca”, considera Francisco Pavão. Por isso, “o que tem seduzido as pessoas é a paixão, não só pela terra e pela cultura do vinho, mas também ser uma cultura com uma grande projeção a nível nacional e internacional.” Acrescenta Frederico Falcão, é que é importante investir na certificação.

Neste concurso, os parâmetros a avaliar são os considerados normais, que colocam à prova os sentidos: o perfil visual, olfactivo, sensorial, e, por fim, a harmonia do vinho.

Foram mais de 20 a medalhas de ouro atribuídas. Valle de Passos é a marca gerida por Carla Correia e pela mãe, desde 2013. Saíram com diploma dourado, e, até agora, tem corrido bastante bem: “Surgiu como um desafio. Tivemos a oportunidade de pegar no projeto, que são 50 hectares de vinha, o que faz com que na produção de uva sejamos um dos maiores da região. As pessoas acham piada. É novo, com Trás-os-Montes a começar agora a ter algum reconhecimento, e também por ser um projeto no feminino”. Castas típicas de região, para revelar o terroir de Trás-os-Montes, tem sido a aposta.

Há também quem desafie as condições climatéricas, para as contornar. A Santa Casa da Misericórdia de Macedo de Cavaleiros, outra das galardoadas, por exemplo, já tem um sistema de rega. Espera-se uma boa produção, explica Alfredo Castanheira Pinto, apesar de faltarem muitas noites para a colheita. O provedor partilha que a primeira experiência com o sistema de rega aconteceu há duas semanas, e os efeitos são imediatos. Quanto à produção, é para aumentar, “até pelo menos aos 10 hectares”, sempre a apostar na qualidade.

Do concelho macedense houve dois produtores a concurso, e premiado. O outro é o Casal de Vale Pradinhos, que se fizeram representar por Mara Lopes. Revela que os consumidores estão mais exigentes e que há mais quem queira plantar vinha. Neste caso, há uma forte aposta na exportação. Alemanha, Suíça, França, e a novidade, Estados Unidos, “com uma importação mais pequena”, avança Mara Lopes, que explica ainda que os americanos “apreciam muito o Cabernet Sauvignon, e nós trabalhamos muito com essa casta. Temos vinhas já com 70 anos”.

A Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes está sediada no concelho de Valpaços, onde o setor tem expressão. O município que tem tentado mexer no setor primário. Há dias receberam o embaixador do Japão. O vice-presidente da câmara, António Medeiros, explica que a Hiroshi Azuma foi mostrado “todo o potencial no setor primário, desde a vinha, à castanha, a amêndoa e o azeite”.

O Concurso Vinhos de Trás-os-Montes estipulou como máximo premiar com medalhas de ouro e prata  30% dos participantes.

Foram 2 júris, constituídos por 8 elementos cada, num ano em que o branco surpreendeu. Eduardo Abade é o presidente de júri, e garante: “O incremento qualitativo dos vinhos brancos neste concurso é de realçar. Alguns produtores que continuem a apostar nos brancos, que vão muito bem”. As castas têm um papel preponderante, e algumas, que estavam em desuso na região, estão a voltar a ser introduzidas.

Confira os 31 galardoados:

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