Trás-os-Montes perde quase metade da representatividade na produção de azeite em 10 anos

Trás-os-Montes perde quase metade da representatividade na produção de azeite em 10 anos

O peso de Trás-os-Montes na produção nacional de azeite passou de 30 % para 16 % em dez anos.

Apesar de continuar a ser a segunda região mais produtiva em Portugal, tem sido largamente ultrapassada pelo Alentejo onde a aposta no setor olivícola tem vindo a crescer exponencialmente,  como refere Patrícia Falcão, secretária Geral da Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas e Olivicultores (FENAZEITES).

“Não significa que a produção de azeite tenha descido muito, o que acontece é que, no resto do país, nomeadamente no Alentejo, a produção subiu imenso, daí a quebra nos valores de produção de 2007 para 2016 e da representatividade que passou de 30% para 16% no total nacional. A principal causa é mesmo o grande aumento de produção no Alentejo.”

 

E para que Trás-os-Montes possa recuperar os indicadores na produção nacional, é preciso tomar medidas que apostem na diferenciação pela qualidade. Quem o diz é Francisco Silva, Secretário-Geral da Confagri.

“A questão de combater o Alentejo em quantidade é muito difícil, ou até mesmo impossível. O que me parece que Trás-os-Montes tem e que pode usar para discutir essa liderança é a qualidade do azeite, essa tem de ser a grande aposta.

Nesse sentido, é necessário melhorar cada vez mais e promover a qualidade, os métodos de produção, o tratamento nos lagares, a apresentação dos produtos, o marketing, ou seja, um conjunto de atividades que têm que estar sempre ativas fazendo também uso das novas tecnologias e da comunicação social.”

Declarações à margem do encontro com as Cooperativas Olivícolas que aconteceu em Macedo de Cavaleiros com o com o objetivo de discutir a Política Agrícola Comum (PAC) pós 2020, organizada pela FENAZEITE em parceria com a Cooperativa Agrícola de Macedo de Cavaleiros.

Um sistema de subsídios e programas de apoio ao desenvolvimento do setor agrícola comum à União Europeia que está já a ser trabalhada para o pós 2020.

E estão previstos ajustamentos na distribuição dos apoios aos agricultores, avança Arlindo Cunha, ex-ministro da agricultura.

“Estamos numa fase embrionária mas nesta altura a comissão diz já algumas coisas interessantes para a PAC do pós 2020.

Vai haver uma continuidade da política atual mas vão haver ajustamentos sobretudo no sentido de que a distribuição dos apoios da PAC seja mais equitativa e justa principalmente no pagamento direto aos agricultores, eles que são o principal instrumento, quer entre países da UE quer entre agricultores dentro do mesmo país.

Haverá uma maior preocupação em relação ao mundo rural que está muito doente, em toda a Europa mas sobretudo em Portugal.”

Uma proposta que prevê ainda o desenvolvimento de uma agricultura ativa, onde o recebimento de subsídios vai estar cada vez mais dependente dos resultados produtivos.

 

“No passado houve uma fase em que o agricultor não precisava de produzir para receber esse dinheiro, bastava que a sua exploração agrícola estivesse limpa e sem mato.

Desde a reforma de 2013 já há mais exigências a esse nível, criou-se o conceito de agricultor ativo, ou seja, tem de produzir para receber apoios. Este documento de intenções diz que isso ainda vai ser mais exigente e, sobretudo para os agricultores que recebem apoios por agriculturas biológicas ou porque têm cuidados ambientais.”

Presente esteve também Luís Rodrigues, presidente da Cooperativa Agrícola de Macedo de Cavaleiros, que refere a importância destes encontros entre cooperativas.

“Para nós estes encontros são importantes e é com todo o gosto que os recebemos cá pela segunda vez. Penso que foi uma sessão esclarecedora, debateram-se temas importantes para o setor, que nos deixaram com uma ideia daquilo que se passa na olivicultura. “

 

Um encontro que contou com a presença de vários oradores que se juntaram para trocar ideias sobre diversas realidades no setor olivícola.

Escrito por ONDA LIVRE

 

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