DGAV proibe venda de carne de javalis caçados em Trás-os-Montes

DGAV proibe venda de carne de javalis caçados em Trás-os-Montes

Foram encontrados vestígios da presença de Triquinelose, uma doença parasitária transmissível ao Homem e a outros animais, em javalis capturados zonas de caça localizadas em concelhos de Trás-os-Montes.

Os parasitas foram detetados durante ações de monitorização de doenças da caça selvagem maior, o que levou a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) a emitir uma nota informativa na qual proíbe a venda de carne de javali para o mercado, sem que esta seja inspecionada, e determina a região transmontana como “Área de Risco”.

Nuno Morais, veterinário municipal de Macedo de Cavaleiros, explica mais sobre a doença e sobre como agir perante esta situação.

“Estamos na presença de uma parasita que se hospeda no porco, a larva enquista-se na carne do animal e, se essa carne for consumida, representa um perigo para o ser humano.

Temos de ter também bastante cuidado com outras peças de caça. 

No caso do javali, deve ser feita a inspeção oficial da carne.

Existem dois sítios no distrito onde essa inspeção pode ser feita, são eles os matadouros de Vinhais e Bragança. As pessoas podem-se deslocar com as peças de caça lá, é feita a inspeção e o exame que verifica se existe ou não a presença do parasita.

Existe ainda a possibilidade de ir também à UTAD, em Vila Real, onde existe um laboratório próprio que dá o resultado em 24h.”

No entanto, o consumo doméstico desta carne não está proibido, porém, há cuidados que devem ser tidos em conta na hora de a confecionar.

“É possibilitado, a quem caça, por arrematação, ficar com as peças caçadas onde foi interveniente. Porém, é também dito pela DGAV que o consumo dessas peças é por conta e risco dessas mesmas pessoas.

A carne deve ser congelada a -15º durante um mês e a confeção deve ser feita a temperaturas elevadas durante um periodo de tempo longo.

Não se recomenda que a carne seja assada nas brasas.

Apesar disto, o ideal seria que todas as peças de caça fossem sujeitas a inspeção.”

A DGAV recomenda também o encaminhamento dos subprodutos de carne de javali para inspeção sanitária, assim como conferem aos gestoras de caça a responsabilidade de “assegurar o encaminhamento para um estabelecimento de tratamento de caça aprovado para que as peças de caça destinadas à colocação no mercado sejam submetidas a inspeção sanitária e pesquisa de Trichinella” mesmo para peças de javali caçadas fora da zona considerada de risco.

As coimas para quem colocar no mercado ou ceder peças de caça de javali não inspeccionada vão de 500€ a 44 890€.

Escrito por ONDA LIVRE

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