Pais de alunos em Macedo denunciam situações que alegam estar a pôr em risco a segurança das crianças na escola

Pais de alunos em Macedo denunciam situações que alegam estar a pôr em risco a segurança das crianças na escola

Pais de crianças que frequentam o Pólo 2 do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros denunciam situações que, alegadamente, estarão a acontecer naquele estabelecimento de ensino e que podem colocar a segurança dos seus educandos em risco.

Rui Pacheco é pai de uma aluna de oito anos e denuncia alguns casos:

 

“São situações gravíssimas que envolvem bullying, agressões, roubo, pressões e violência gratuita. Algo que muitos pais, ao longo destes anos, têm vindo a fazer queixa.

É lamentável ver crianças com 8/9 anos a conviver com jovens de 15/16/17 anos. Com tudo isto, as nossas crianças estão a perder toda a infância. É uma escola cheia de vícios, problemas, e dia após dia as agressões continuam. Há crianças abusadas sexualmente, tenho relatos de mães, mensagens e fotos de situações graves, que vão ser entregues em sede própria.”

 

Soraia Ramalho é mãe de um aluno de 12 anos que diz estar a ser alvo de ameaças:

“Desde que está nesta escola, o Francisco tem sofrido agressões. Batem-lhe, ameaçam-no, e este ano está a ser mais complicado porque os mais crescidos vingam-se nos pequenos e o meu filho é uma criança sensível, deixa-se influenciar pelo medo para que não lhe batam. Mesmo assim, acaba sempre por levar porrada.

Este ano, tenho-me dirigido à diretora de turma, que tem sido impecável e diz que o diretor já tem conhecimento do que tem vindo a acontecer.”

Vânia Guerra é outra mãe descontente com o que se passa o Pólo 2 do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros. Diz que o filho sofreu um acidente em maio deste ano, o que o obrigou a andar temporariamente numa cadeira de rodas. Devido à alegada falta de condições de acessibilidade, ficou impossibilitado de frequentar as aulas que decorriam em salas a que só é possível aceder por escadas.

Vânia Guerra acusa o diretor de ter sugerido que o seu filho perdesse o ano, alegando que havia falta de funcionários que o auxiliassem a subir ao piso superior:

 

“Fomos à escola várias vezes de forma a conseguirmos falar com o diretor, mas nunca nos recebeu. O meu filho não pode assistir à aula de música porque não tem quem o suba para o andar de cima, e à de TIC também não vai porque ninguém o leva. A única resposta do diretor é que há falta de funcionários e que a única solução era o meu filho perder o ano. Agora, deixou a cadeira de rodas e anda com canadianas, mas precisa de ajuda de igual forma, especialmente no refeitório para que lhe peguem na bandeja. Não há ajuda de qualquer tipo, tem as mãos em ferida e os braços todos negros.”

 

A mesma encarregada de educação fala ainda em alegados atos de violência exercidos por parte de uma funcionária:

 

“Há uma funcionária que anda a bater às crianças. O meu filho já se queixou várias vezes mas ninguém faz nada. Conheço outras mães que estão na mesma situação. O mais indignante é que o Diretor Paulo Dias não quer saber. Mesmo numa cadeira de rodas, o meu filho já levou porrada dessa funcionária, que já foi avisada pelo diretor de turma. E eu sei que há mais crianças que sofrem do mesmo.”

 

Contactado, o diretor do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, Paulo Dias, não quis prestar declarações gravadas, mas negou as acusações feitas por estes pais e referiu que “a primeira linha de comunicação dos pais com a escola são os professores titulares de turma e os diretores de turma, e quando estes sentirem que o problema reportado está a demorar a ser tratado, em termos de resolução ou não, podem sempre recorrer ao diretor.”

Entretanto, o Conselho Geral da escola, que esteve reunido no passado dia 22 de novembro, enviou uma carta aos pais.

Nessa missiva, além de estar referido que existem no agrupamento alunos sinalizados que estão a ser acompanhados pela CPCJ e pelo MP, são descritas algumas medidas a ser tomadas para resolver os problemas denunciados, começando pela deslocalização das aulas da turma PIEF para a EB3 e Secundária, onde a diferença etária dos alunos em causa é menor.

Refere ainda que a autarquia vai ceder um assistente operacional para estar presente nas imediações do pavilhão e campo de jogos, de forma a colmatar a falta de funcionários que há nesse setor, e passará também a estar presente na referida escola um elemento da direção do agrupamento de forma contínua.

Na mesma carta lê-se ainda que a direção está a equacionar a separação física dos espaços de recreio destes alunos dos restantes.

Por fim, a missiva enviada aos pais refere que serão adotados procedimentos de forma a garantir  formação em relações interpessoais, gestão de risco e de conflitos a docentes e não docentes.

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