Região do Interior Norte pode vir a ter falta de profissionais na área da saúde

Região do Interior Norte pode vir a ter falta de profissionais na área da saúde

Se não forem tomadas medidas que incentivem os médicos a fixarem-se nas regiões do interior, dentro de poucos anos, Bragança vai ter falta de profissionais dessa área a trabalhar no distrito.

Quem o diz é António Araújo, Presidente do conselho regional do Norte da Ordem dos médicos:

“Nós temos vindo a chamar a atenção do Ministério da Saúde que, particularmente o distrito de Bragança, vai viver dentro 5 a 6 anos uma situação dramática porque vai ter um número muito elevado de médicos a reformarem-se neste período. É necessário criar as condições para chamar mais médicos para esta região. Isto não se pode fazer num ano ou dois, é preciso criar condições e acelerar os concursos, abrir vagas no Interior do País, de forma a que, as pessoas, sintam que são precisas, acarinhadas, não só pelas Instituições de Saúde, mas também pela tutela.”

 

As determinantes de fixação dos médicos no espaço laboral foram alvo de um estudo levado a cabo pela Secção Norte da Ordem dos Médicos e pelo IPB, e as conclusões ditam que o afastamento destes profissionais do interior norte se deve, principalmente, a questões de foro profissional e familiar, como explica Maria Augusta Branco, docente do IPB responsável pelo estudo:

“O que motiva os médicos tem a ver com a diferenciação do hospital e do local de trabalho, os equipamentos médico-cirúrgicos, o facto de haver por parte das instituições, seja ao nível hospitalar seja ao nível dos cuidados de saúde primários, disponibilidades para eles poderem explorar os seus projetos pessoais e colocá-los a trabalhar, a terem as suas áreas de especialidade nas quais gostariam de fazer formação e que houvesse todo um contexto que fosse facilitador das suas expectativas pessoais.
Desmotiva-os o facto das instituições não terem diferenciação, não serem conceituadas, não haver estes mecanismos e não haver possibilidade de se completarem as suas expectativas de vida pessoal, envolvendo toda a sua componente familiar.”

 

As conclusões deste estudo vão ser enviadas ao Ministério da Saúde para que tenha conhecimento da realidade do país e tomem medidas que não podem passar só pelos incentivos financeiros, acrescenta António Araújo, Presidente do conselho regional do Norte da Ordem dos médicos:

“Temos vindo a chamar a atenção da tutela de que para fixar médicos no Interior não basta apenas aumentar um pouco o seu vencimento. Existem componentes no sentido de tentar corresponder a projetos de valorização pessoal e profissional que as instituições têm que dar aos seus profissionais para chamarem os profissionais de saúde. Este estudo vem provar isso mesmo.” 

 

O estudo incidiu numa amostra de 1181 médicos inscritos na Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos e as conclusões foram na sexta-feira apresentadas publicamente em Bragança.

 

Foto: Rádio Brigantia 

Escrito por ONDA LIVRE 

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