“Pelo fio da lã se conhece o careto”, o primeiro workshop da Casa do Careto (Podence)

“Pelo fio da lã se conhece o careto”, o primeiro workshop da Casa do Careto (Podence)

Pelo fio da lã se conhece o careto”, foi a primeira iniciativa realizada, em forma de workshop, na Casa do Careto, em Podence, Macedo de Cavaleiros, com vista à promoção dos caretos de podence a Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A candidatura à UNESCO pressupõe que se realizem algumas atividades, inseridas num plano de salvaguarda, que se prendem com a recuperação de património associado ao Entrudo Chocalheiro.

Nesta primeira atividade, a lã esteve em destaque, por ser o principal elemento na constituição do fato do careto e porque a sua utilização natural tem vindo a cair em desuso, como explica Patrícia Cordeiro, coordenadora técnica da candidatura do Entrudo Chocalheiro:

“Um desses patrimónios é o fato, que é constituído por uma manta e por franjas coloridas, essencialmente. Tudo isso era feito com lã natural e hoje é feito com lã sintética. Queremos sensibilizar para a reutilização desse recurso que é a lã natural.”

 

Uma iniciativa enquadrada noutros projetos, como é o caso do programa “creatour” e do projeto “valorizar”:

“Esta iniciativa está enquadrada também num projeto de investigação – o creatour – que pretende estudar oferta turística em Portugal, sobretudo nas regiões do Interior, de que forma o turismo criativo provoca algumas dinâmicas de renovação dos territórios e da utilização dos recursos naturais. Está também inserida no programa valorizar, de uma candidatura que foi feita para o financiamento de muitas das ações enquadradas no plano de salvaguarda da candidatura, e que é promovido pela DESTEQUE, pela Associação da Terra Quente.”

 

Luís Filipe Costa, é careto e artesão, recorda a altura em que aprendeu a fazer os seus próprios fatos de careto e ressalva a importância dos mais pequenos conhecerem melhor esta tradição:

“Já aprendi a confecionar os fatos há muito tempo, tinha a idade dos mais pequenos que hoje estão aqui. A minha mãe ensinou-me e depois comecei a fazer as franjas para os meus fatos de careto. O uso da lã natural, hoje em dia é difícil, é mais fácil o uso da sintética, por haver mais abundância. A natural vamos utilizando à medida que vai havendo. 
Os mais pequenos gostam muito dos fatos, todos os anos saem à rua vestidos de caretos, a acompanhar os maiores, agora faltava esta parte de aprenderem como se fazem os fatos, e que é importante para transmitir às novas gerações estes conhecimentos.

Hoje em dia já pouca gente sabe fazer as franjas, assim, a ensinar, é uma forma de ensinar mais gente para que não se perca a tradição.”   

 

No próximo ano vão ser realizados mais workshops, desta vez sobre os chocalhos e as máscaras.

O resultado da candidatura é conhecida em novembro de 2019, na Colômbia.

 

Foto: Facebook da Desteque

Escrito por ONDA LIVRE 

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