Vale de Salgueiro cumpre a tradição dos Reis em que as crianças têm permissão para fumar (Mirandela)

Vale de Salgueiro cumpre a tradição dos Reis em que as crianças têm permissão para fumar (Mirandela)

Por Vale de Salgueiro, voltou a cumprir-se a tradição da festa dos rapazes, em honra de Santo Estêvão.
Dois dias para comemorar os Reis, onde as crianças, excecionalmente, têm permissão dos pais para fumar cigarros.

Sexta-feira, dia 5 de janeiro, o relógio marcava 17,00 horas, nevoeiro cerrado e dois graus negativos.

No largo da aldeia de Vale de Salgueiro, a fogueira já estava acesa, rodeada por alguns populares.
Chegam os gaiteiros para se dar início à festa dos reis. São os primeiros momentos de glória do Rei. Este ano, a escolha recaiu em Gabriel Setas, um jovem de 22 anos, que não esconde a enorme emoção por ser a figura principal da festa:

“É uma sensação única, não tenho palavras para a descrever. Poder ser visto pelos populares como a alteza da festa e da aldeia, é soberbo. Só quem já fez a festa é que sabe o que se sente.

Desde os meus 10 anos que andava atrás do gaiteiro e ia sempre ajudar com a cabaça do vinho ou com os tremoços. Nunca faltei.”

O Rei Gabriel junta-se aos gaiteiros e dá a primeira volta pela aldeia para distribuir cerca de 700 quilos de tremoços, e 70 litros de vinho, por todas as casas, na companhia de algumas crianças que, nestes dois dias de festa, têm permissão dos pais para fumar cigarros. Uma delas foi a Natacha Bença, de 9
anos. Desde os 4 anos que sempre fumou nesta ocasião, conta o pai.
O rei Gabriel diz que ninguém sabe ao certo nem como, nem quando, começou esta tradição, mas entende que se tem dramatizado em demasia esta questão, relembrando que a festa tem outros aspetos mais importantes.

“Tenho 22 anos e desde de garoto que fumo nesta altura do ano, e não tenho o vício do tabaco.

Acho que as pessoas focam-se muito na imagem de que as crianças fumam. Isto já vem de há muitos anos. Uma criança não sabe travar nem percebe nada de fumar, é apenas o prazer de ter o fumo na boca.

As pessoas não precisavam de dramatizar tanto esta tradição, pois acabam por se esquecer da alegria e do convívio que esta festa promove com todas as vertentes que tem.”

 

Também o presidente da junta de freguesia, Carlos Cadavez, entende que só quem nasce, cresce e vive em Vale de Salgueiro, entende esta tradição.

“O que tem acontecido é que as pessoas, com o aparecimento das televisões e com o mediatismo que envolve aa festa, começaram a pôr crianças, de mais tenra idade, com o cigarro na boca só para serem filmadas, o que não acho correto.

Que fique bem claro que isto é uma tradição que não obriga as crianças a fumar, isso não é imposto pelos pais aos filhos, até porque alguns não concordam, participa apenas quem quer. É importante salientar isto.”

Ao final da tarde de sexta, quando o rei chegou ao centro da aldeia, as pessoas foram convidadas a dançar a “Murinheira”, (típica dos Celtas), um bailado guerreiro com um misto de cortesia.
No sábado, dia de Reis, a alvorada aconteceu às 06,00 horas. O rei, ostenta uma coroa revestida a veludo e adornada de objetos em ouro, emprestado pelos habitantes, carregando um bastão com uma laranja incrustada e volta a percorrer a aldeia para receber a “manda” (donativos) para custear a despesa da festa.
Ao final da manhã, a festa termina com a celebração da missa, onde acontece a cerimónia de entronização e passagem do testemunho. O rei retirou a coroa e colocou-a no novo “monarca” que vai organizar a festa em 2020.

INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)

 

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