Reviramento lateral sem proteção é principal causa de morte em acidentes com tratores

Reviramento lateral sem proteção é principal causa de morte em acidentes com tratores

É acima dos 60 anos que se verificam mais vítimas resultantes de acidentes com tratores e a principal causa de morte é o reviramento lateral, sem estrutura de proteção.

Esta foi uma das conclusões apresentadas por José Gomes, da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, à margem da ação de sensibilização sobre segurança na utilização do trator agrícola, inserida na IV Feira da Agricultura de Trás-os-Montes, que aconteceu em Macedo de Cavaleiros.

“Ou porque o operador não leva o arco ativo ou porque o trator não o tem.

Isso leva a que, em caso de reviramento laterar, se cause o acidente mortal, sendo esta a principal causa de morte.

A estrutura de proteção, que pode ser o arco ou cabine, não evita o reviramento mas vai proteger o operador das consequências que dai possam advir.

O número de acidentes é mais comum a partir dos 60 anos porque os condutores vão perdendo faculdades. Os tempos de reação e os de capacidade de ação/reação vão sendo maiores, logo, é um fator que não ajuda ou facilita na solução. Perante um determinado tipo de problemas, a pessoa com mais idade vai ter um fator de resposta muito maior, e às vezes já não tem tempo para agir.”

José Gomes considera que este tipo de ações são o meio para convencer os agricultores a mudar comportamentos na condução de tratores:

“Para mudar comportamentos temos de insistir várias vezes, e nunca é de mais investir nesta ações.

Deveriam ser mais pessoas a participar mas as atividades agrícolas requerem a presença dos agricultores para as suas tarefas, e prescindir de um dia é complicado porque têm sempre trabalhos para realizar.

No entanto, os agricultores têm aderido a estas ações e, pouco a pouco, estão a participar e a achá-las benéfica, é isso que se pretende. No fundo, queremos salvar vidas.”

Delfim Machado e Rui Sá são dois dos agricultores que estiveram presentes na ação de sensibilização. Ambos admitem adoptar medidas de segurança quando conduzem os seus tratores:

“Tento moderar a velocidade e não me aproximo tanto dos taludes e barrancos. Quando trabalho com o carregador frontal, faço sempre manobras o mais lento possível, e se beber uns copos, não pego no trator.

Em casa tenho dois tratores, um sem arco, já com alguma idade, e outro com cabine. Noto que quando ando com o que tem cabine, sinto-me mais seguro, de maneira que se calhar vou pôr também uma cabine no outro trator.”

 

“Quando comprei o meu trator já trazia arco mas não tinha sinto de segurança. Eu comprei um e pus-lho, e se o fiz é para o utilizar, para salvar a minha vida.

Há sempre situações que podemos melhorar, e esta troca de experiências é o que nos enriquece, permitindo passar a palavra. Há sempre alguma situação que acautelamos menos, e quando ouvimos os colegas falarem delas, ficamos mais alerta.”

Além da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, esta ação contou ainda com a participação da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e da GNR.

Escrito por ONDA LIVRE

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