PSP garante que todas as diligências foram cumpridas desde o início no caso de Giovani

PSP garante que todas as diligências foram cumpridas desde o início no caso de Giovani

A Polícia de Segurança Pública (PSP) falou pela primeira vez sobre o caso do estudante cabo-verdiano em comunicado da direcção nacional.

Na nota refere que, após a morte do estudante cabo-verdiano, a PSP informou “de imediato” a Polícia Judiciária (PJ) de Vila Real, que é a força “com competências legais de investigação”.

A polícia esclarece que, cerca das 3h15 de 21 de Dezembro recebeu a informação de que, no exterior do bar situado na Avenida Sá Carneiro, em Bragança, estaria a ocorrer uma desordem, tendo sido accionados os meios policiais, que chegaram ao local às 3h21 e que não verificaram “qualquer desordem no exterior do bar”.

“No local, apenas se encontravam dois cidadãos, um dos quais informou os polícias que teria sido agredido por um grupo de jovens, que já não se encontravam no local, não desejando qualquer tratamento hospitalar, nem procedimento criminal”, refere o comunicado.

Depois de recolhido o testemunho, os polícias, tentaram localizar os suspeitos ou possíveis testemunhas, “sem resultado”, frisa a nota.

Já cerca das 3h45, um outro meio policial, que se encontrava em serviço de patrulha na cidade, deparou-se com um jovem caído no chão “inanimado e com forte odor a álcool proveniente do vomitado no seu vestuário”.

“Face este cenário, pelas 3h48, foi imediatamente accionada pelos polícias a assistência médica – INEM, tendo o jovem sido transportado pela ambulância dos bombeiros às urgências”. Foi a unidade hospitalar de Bragança que cerca das 6 da manhã contactou a PSP e informou que o jovem que “ali havia dado entrada, teria sido vítima de agressão”, revelou a nota.

Segundo a PSP foram os amigos que forneceram a identidade do jovem, tendo informado que, pelas 2h30, no interior do bar, quando se preparavam para sair, a vítima terá tido um desentendimento, mas que teria ficado sanado.

Os jovens relataram que, aquando da saída do bar, “ocorreram agressões com um grupo de 15 a 20 jovens, motivo pelo qual fugiram, desconhecendo para onde se teria deslocado o cidadão hospitalizado”.

Com silêncio, a comunidade brigantina homenageou o estudante Luís Giovani Rodrigues.

A marcha silenciosa, que reuniu mais de 2000 pessoas, não só estudantes como habitantes da cidade, percorreu algumas ruas de Bragança entre o Politécnico de Bragança e a Praça da Sé onde decorreu uma vigília, também ela silenciosa.

O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária mas ainda não houve detidos. Os participantes na marcha pediram justiça para Giovani:

“Pedimos justiça, porque há falta de provas, não dizem nada, se já sabem quem foram os culpados, e isso aumenta a consternação.”

O presidente da Associação de Estudantes Africanos do IPB, Wanderley Antunes, destacou a mobilização para esta marcha e afirmou que a consternação ainda é muita na entre a comunidade estudantil:

“Esperávamos por uma grande adesão, da população residente e da comunidade estudantil do IPB, a moldura humana foi a que esperávamos.”

O secretário de Estado do Ensino Superior e ex-presidente do politécnico de Bragança juntou-se à homenagem. Sobrinho Teixeira considera que se trata de um caso isolado, mas garante que não será esquecido: 

“Sobretudo transmitir que aquilo que se passou não será esquecido. O que vimos hoje é que é Bragança, ou seja, uma cidade multicultural, que acolheu mais de três mil estudantes estrangeiros, onde convivem mais de 70 nacionalidades e onde se afirmam valores civilizacionais.”

Também o presidente da câmara de Bragança, Hernâni Dias, que se associou à iniciativa considera que o acto isolado não reflecte o espírito acolhedor da cidade:

“Prestar também o nosso apoio a esta manifestação de pesar por tudo aquilo que aconteceu, mostrando que, efetivamente, a comunidade brigantina é pacífica, acolhedora e que isto não passa de um ato isolado.”

A marcha seguiu da praça da Sé para a Catedral de Bragança onde o Bispo da Diocese de Bragança-Miranda presidiu uma eucaristia em memória do estudante de 21 anos. D. José Cordeiro apelou à paz e à não violência:

“A minha presença é justamente de silêncio e proximidade com a família, com a Diocese de Santiago em Cabo Verde, com o IPB, com a cidade e com todas as pessoas de boa vontade que promovem a paz e a reconciliação.

Com esta marcha e celebração queremos dizer nunca mais à violência e ao ódio, dizendo sim e mais fraternidade, paz, diálogo e harmonia social.”

Milhares de pessoas marcharam em silêncio por Giovani e contra a violência.

Houve ainda homenagens este sábado à tarde em outras cidades portuguesas, como Lisboa, Porto, Coimbra e Covilhã, em Cabo Verde, em França e no Luxemburgo.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia) 

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