Ambientalistas pedem à UNESCO para travar Barragem de Foz Tua

 

Vários representantes de associações ambientalistas apelaram hoje, na Régua, a uma missão da UNESCO presente na região para travar a construção da Barragem de Foz Tua.

Alegam que é a última oportunidade para salvar o estatuto de Património Mundial de que o Douro goza desde Dezembro de 2001. 

Três especialistas do Comité do Património Mundial da UNESCO vieram analisar os impactos provocados pelos trabalhos de construção da barragem, entre os concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães.Hoje de manhã reuniram no Museu do Douro, na Régua, com os representantes de associações ambientalistas que sempre se mostraram contra a construção do aproveitamento hidroeléctrico.

À saída do encontro, Manuela Cunha, dirigente do Partido Ecologista Os Verdes, voltou a defender a paragem das obras.“É preciso parar a barragem, é preciso salvar o vale do Tua, é preciso parar os impactos que a barragem tem sobre o Alto Douro Vinhateiro”, refere, considerando que “não há maneira de minimizar os impactos na barragem, nem com projectos de grandes ou pequenos arquitectos. Se a barragem for para a frente uma ferida fica aberta e será um exemplo negativo que vai desautorizar qualquer proibição no futuro”.

Também o dirigente da Quercus, em Vila Real, defendeu a paragem da construção da barragem do Tua, acredita que a UNESCO lhes dará razão.“Fico bem claro que a sociedade civil se opõe à construção desta barragem”, afirma João Branco, acrescentando que “a UNESCO vai fazer o que tem de fazer para manter a integridade da paisagem do Douro, património mundial”. “Não há volta a dar”, considera.

“O Governo já devia ter parado a barragem há muito tempo, até antes de terem começado as obras. Só não o fez porque não quis”, salienta.A reunião da manhã de hoje, no Peso da Régua, com a missão da UNESCO que está por estes dias no Douro é a última esperança das associações ambientalistas para parar de vez a construção da barragem do Tua.Ontem, a missão da UNESCO visitou o local onde decorrem as obras da barragem, acompanhada pelo presidente executivo da EDP, António Mexia.

A visita ao Douro foi agendada após a última reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, que decorreu em São Petersburgo, Rússia, e durante o qual foi aprovado um abrandamento significativo das obras da barragem, em alternativa à suspensão das mesmas.

Este ritmo de trabalhos vai manter-se até à apresentação do relatório da missão da UNESCO, que deverá estar pronto até ao final do ano.

 

Escrito por Ansiães (CIR)