Pires Cabral reúne com macedenses e apresenta a sua obra “Anjos Nus”

 

A escrita é como uma segunda pele.

A expressão é do escritor transmontano, Pires Cabral.

Natural de Chacim, no concelho de Macedo de Cavaleiros, o escritor esteve de passagem pelas suas origens, este fim-de-semana.

Com mais de 50 obras publicadas, o escritor frisa que a escrita é uma fonte de inspiração e de expressão.

 

Pires Cabral 1 

 

É uma segunda pele, é a pele onde me sinto bem. Toda a vida escrevi. Nesta altura tenho publicado para cima de 50 obras, não é qualquer escritor que tem uma obra desta dimensão. A escrita para mim é algo que significa muito, inspira-me, dá algum sentido à vida. Eu encontro sentido em tudo na minha vida, na família, na profissão, na escrita. Tenho tido boas referências na minha escrita e isso é um estímulo para continuar a escrever”, realça Pires Cabral. “Ultimamente tenho mantido o ritmo de um livro por ano. O Camilo Castelo Branco escrevia mais que um livro por ano, mas ele era uma coisa à parte. Para um comum dos escritores, que é onde eu me incluo, um livro por ano já é qualquer coisa”, para o escritor a escrita é “uma tentativa quase desesperada de comunicar com o outro, de me exprimir, de dizer o que sou e o que não sou mas sobretudo de comunicar essas coisas aos outros. É um ato de comunicação, de partilha”, define.

 

Pires Cabral foi um dos escritores que esteve presente no II Encontro de Escritores Transmontanos que decorreu na Livraria Poética, em Macedo e que reuniu perto de 20 escritores.

Aquando esta passagem pelas suas raízes, apresentou a sua mais recente obra, inspirada em Trás-os-Montes, intitulada, “Anjos Nus”.

 

Pires Cabral 2 

“É uma coletânea de contos que como é habitual da minha pessoa, são contos que têm haver com a realidade transmontana, é evidente que escrevi outros livros que não tem nada haver com Trás-os-Montes mas muitos deles, 80% dos meus livros têm. É um conjunto de contos onde muitos dos quais já tinham sido publicados, em meios de circulação muito restrita, não tinham sido conhecidos pelo público. De modo que peguei neles, dei-lhes uma volta, como faço sempre que republico alguma coisa, acrescentei-lhe elementos, cortei também elementos que me pareciam estar a mais e resultou este livro, do qual só dois contos são verdadeiramente inéditos, os restantes seis aparecem já pela segunda e terceira vez. São contos transmontanos, é a melhor definição que tenho para dar”, explica.

 

 

 

Pires Cabral apadrinhou ainda uma exposição de fotografia, inspirada em gentes transmontanas.

A responsável pela livraria, Virgínia do Carmo, aponta as razões para ter escolhido o escritor.

 

Pires Cabral 3 

“Escolhemos o Pires Cabral, não só por ser um macedense ilustre, mas sobretudo porque é uma pessoa que eu tenho acompanhado o percurso, além de ser um exímio escritor é uma pessoa que tem um respeito imenso pela terra onde nasceu, por Trás-os-Montes em geral e é um ser humano extraordinário. Têm outra particularidade que é o seu gosto pela fotografia, tudo conciliado achamos que seria ótimo tê-lo como sócio honorário da nossa associação e ter apadrinhado com o nome o nosso clube de fotografia. Ficamos muito contentes por ele ter aceite a proposta de apadrinhar.

 

 

No decorrer do II Encontro de Escritores Transmontanos houve ainda tempo para uma tertúlia, em que se debateu a cultura transmontana.

Um encontro que promete continuar a aproximar a comunidade dos escritores em próximos anos.

 

Escrito por Onda Livre