Moção sobre a reforma no setor das águas não gera consenso

O PSD de Macedo de Cavaleiros apresentou uma moção na última assembleia municipal sobre as anunciadas mudanças no setor das águas, que, no entanto, não gera consenso entre todas as forças políticas do concelho. O PS absteve-se, e não assinou a moção. Quem também não assinou foi o CDU, que votou contra.

No documento levado a votação a 29 de abril, o PSD congratula-se e saúda o Governo pelo anúncio da criação da Sociedade Águas do Norte, que se traduz na fusão das quatro entidades gestoras do setor numa só. Uma restruturação que prevê a inserção de uma tarifa única no preço a pagar pela água.

A moção tinha já sido apresentada na última reunião da CIM Terras de Trás-os-Montes, com aprovação do PS. Pedro Mascarenhas, presidente da Concelhia do partido rosa, diz, no entanto, que nessa reunião em Bragança o texto apresentado na moção era outro.

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“A moção de Bragança, à qual votei favoravelmente, embora o que se leu no texto pareça a mesma coisa, é diferente.

Esta moção limita-se a dizer que está de acordo com aquilo que foi feito, com intenção do governo e que concorda. Nós também concordamos, embora eu ache que a moção de Bragança é curta e pouco ambiciosa.

Mas repare-se que a situação e o local são diferentes. Estamos numa CIM onda há muitos concelhos. Agora, falando do nosso, no que respeita ao pagamento da água, as pessoas têm sido martirizadas, estão a pagar um preço muito caro há muito tempo, e na CIM há concelhos que não têm o mesmo problema que nós. As coisas devem ser vistas de uma forma diferente.”

Pedro Mascarenhas frisa que, para que a moção merecesse o voto favorável do PS, o texto teria de estar redigido de outra forma. O líder concelhio considera que a moção não devia só congratular-se e felicitar o Governo, mas exigir a descida o preço da água na região.

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“É evidente que nós concordamos que as empresas das águas sejam fundidas e que haja uma só empresa no Norte.

Achamos bem que haja a intenção de nivelar as tarifas da água, para que o preço seja o mesmo no interior e no litoral. Agora, o que entendemos é que isso não está garantido. Acho que uma assembleia municipal como a de Macedo de Cavaleiros, que é um dos concelhos onde se paga a água mais cara, ao fazer uma moção devia estar a exigência de virmos a pagar menos. A questão não é só pagar o mesmo que os outros, pois aumentar aos outros para ficarem iguais a nos não nos traz vantagem nenhuma.

O que queremos é que o nosso seja diminuído e aumentem um pouco aos outros para que possamos encontrar um preço intermédio. E no texto apresentado pelo PSD isso não estava.”

Já Helena Gonçalves, vice-presidente da Concelhia do PSD, contava com voto positivo do PS, dado que assim tinha feito em Bragança. Diz ainda que o PSD estava na disposição de alterar o conteúdo da moção, para que fosse assinado por todas as forças políticas do concelho, mas que a oposição não se mostrou disponível para negociar.

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“Esperava que o Partido Socialista votasse a favor porque na sexta-feira antes desta reunião aqui em Macedo, na reunião da CIM, em Bragança, os dois elementos do PS de Macedo votaram favoravelmente.

Mas nós estávamos recetivos a alterar o que fosse necessário. Até dissemos: uma vírgula, um ponto, um parágrafo, modifica-se.

Pois é claro que se uma moção for para o governo com uma larga maioria tem outro impacto. Foi a nossa bancada, do CDS e do PSD, que votaram a favor. Eles, pelos vistos, simplesmente não quiseram negociar.”

 

A moção acabou por ser aprovada por maioria, com 47 votos a favor, 13 abstenções do PS, e um contra, do CDU. O documento foi, por isso, apenas substrito pela coligação PSD/CDS-PP.

Pedro Mascarenhas, do PS, afirma ainda que, apesar de concordar com alguns pontos, o texto votado em Bragança é “pouco ambicioso”, e afirma estar  ao dispor do PSD para chegar a um entendimento quando à moção, para que seja aprovada por unanimidade.

Entretanto, o ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e da Energia, Jorge Moreira da Silva, deixou no início da semana, em Vila Real, a garantia que a reforma do setor das águas deve entrar em vigor em julho.

Escrito por ONDA LIVRE