Mais colmeias roubadas em 2015

O roubo de colmeias no distrito de Bragança aumentou praticamente para
o dobro em relação ao ano passado. Em 2014, a GNR registou 6 furtos de
colmeias mas este ano, que vai praticamente a meio, já foram
participados 10 assaltos a apiários.
Estes são os números conhecidos, mas as autoridades acreditam que o
número de casos seja maior, uma vez que, muitos apicultores não chegam
a apresentar queixa por considerarem que é quase impossível reaver as
colmeias.
Um dos últimos apiários a ser alvo de roubos foi o de Carlos de Sá
Carneiro, na freguesia de Gondesende, concelho de Bragança.
Desapareceram 10 das 100 colmeias do apicultor. Além das quebras
produção de mel deste ano, o material roubado representa um prejuízo
de mais de 2 mil euros. Carlos de Sá Carneiro acredita que terá sido
um apicultor a protagonizar o assalto.
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“Dei por falta de 10 colmeias. Foram colmeias, blocos, foi tudo. A dois ninhos foi-lhe retirado o quadro com a postura do dia. Isto é coisa de algum apicultor, tem que ser alguém que saiba manusear e que conheça o trabalho da apicultura porque não se chega a um ninho e retira-se só o quadro da postura do dia. Isso quer dizer que a pessoa que o fez tem falta de rainhas e está a tentar compor o seu ninho.”

Esta é uma das situações que envolve o roubo de colmeias. Muitas
vezes, os apicultores precisam de enxames para completar a sua
candidatura a fundos comunitários destinados ao investimento apícola e
acabam por procurá-los noutros apiários.

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“Os enxames de mil ou quinhentas colmeias não se arranjam de um dia para o outro, não é fácil. Quando fiz o meu projeto tinha dois anos para fazer o investimento e não há nenhum apicultor que consiga mil ou quinhentos enxames em dois anos para iniciar a atividade. Eles depois deparam-se com a situação de serem controladas, e como vêem que não conseguem, alguns pensam conseguir através do vizinho. Eu sei que se as caixas de madeira, não o próprio ninho de abelhas, do enxame foram, mas se calhar provavelmente neste momento as caixas já estão destruídas, tirariam o enxame para uma caixa deles e está feito.”

 

A Associação de Apicultores do Parque Natural de Montesinho, principal
entidade qualificadora do mel produzido naquele território, tem também
notado um aumento das queixas de furtos por parte dos apicultores,
desde há três anos. O presidente da Associação, Manuel Gonçalves,
salienta que há vários factores que podem contribuir para anos de mais
ou menos roubos de colmeias.

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“Sempre houve roubo de colmeias, há anos que há maior incidência que outros, isto por diversos fatores ou porque no ano anterior houve muita mortandade e há gente que quer pôr com rapidez as colmeias ou por outros fatores como uma equipa organizada que precisa de arranjar algum dinheiro de alguma forma mais fácil, então, roubam. Não temos notado que em termos percentuais haja grande incidência de roubo, houve há 3 anos. É uma atividade económica muito específica onde deixamos os animais no monte e se os roubarem nós podemos chamar por eles que eles não regressam. Logo, é uma atividade que não é de fácil controlo. Há diversos equipamentos para fazer controlo que são muito caros para os apicultores, com determinada dimensão e não é viável adquirir esse tipo de equipamentos.”

Já o número de colmeias por apicultor tem aumentado nos últimos anos,
segundo os dados da Associação de Apicultores do Parque Natural de
Montesinho. Este ano houve um aumento de cerca de 20 por cento do
número de colmeias por apicultor e apesar uma diminuição de cerca de
10 por cento do número de apicultores. Nesta associação, estão
inscritos actualmente 340 apicultores com 25500 colmeias.

 

Informação CIR (Rádio Brigantia)