Produção de castanha aumenta em relação a 2014

Entre 120 a 150 toneladas de castanha é o quanto deve chegar nesta campanha à Cooperativa Soutos os Cavaleiros.

A seca, que parece ter interferido em muitas culturas na região, não afetou grandemente a castanha, que até melhorou a qualidade este ano, segundo as declarações de Domingos Barreira, presidente da direção.

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“Afetou de algum modo mas, na nossa perspetiva não vai ser um ano tão mau como o ano passado, que foi excepcionalmente mau ,mas também não vai ser tão bom como há dois anos e ,provavelmente, nem será tão bom como a média normal. No entanto, a qualidade da castanha parece-me que está bastante acima da média, com muito pouco bicho, quase sem estarem rachadas, e dado as amostras e análises que temos feito, a qualidade é bastante superior.”

O preço este ano, com o aumento da produção, deve cair. Domingos Barreira prevê uma queda no valor do quilo da castanha a rondar os 66 cêntimos a menos em relação a 2014.

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“Depende. Nós como temos aqui um processo de seleção e calibragem da castanha, depende um pouco das variedades. Só começamos a recolher ontem e só hoje vamos começar a vender. O ano passado a média final foi de 2,66€ o kilo. Este ano, se conseguirmos uma média de 2€ para o produtor já não será mau.”

Países como Brasil ou Espanha já receberam este fruto seco do nordeste transmontano. No entanto, de há três anos a esta parte, o maior comprador é Itália, onde a vespa da galha dizimou, em alguns pontos, 80% dos soutos. As negociações para esta campanha estão a decorrer, apenas com um senão.

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“Nós temos tirado partido de vários azares dos outros. Na Itália, por causa da vespa da galha, houveram zonas com quebra de produção na ordem dos 80%. Eles têm um mercado muito dinâmico na transformação para farinhas e para outros tipos de consumo da castanha que nós, em Portugal, não temos.

Para manter o mercado tiveram de procurar e acabaram por vir a Portugal. Já por 3 anos que lhes vendemos castanha e, este ano, estamos a iniciar conversações para ver se lha conseguimos vender. De qualquer forma, já descobriram outro mercado que é da Turquia, vamos ver se conseguimos competir com eles. A castanha lá acaba por ser mais barata porque a mão de obra também o é e eles estão na tentativa de entrar no mercado Europeu que não conseguiam. São produtores com algum peso, devido ao tamanho e também enquanto país, ainda que possam ter alguma incerteza de mercado devido à instabilidade social mas não nos podemos deixar afetar por isso.”

Mas este ano a maior novidade da Cooperativa Soutos os Cavaleiros é mesmo o facto de ter abandonado a localidade de Podence, para abrir instalações renovadas na Zona Industrial de Macedo de Cavaleiros. Um trabalho começado pela direção cessante, que deixou de exercer funções a 17 deste mês. São, para já, 170 mil euros de investimento, entre capitais próprios, apoio do município e financiamento do antigo PRODER, de onde vêm 25 mil euros destinados a uma máquina nova que permite selecionar e calibrar 3 toneladas de castanha por hora, o triplo da capacidade da maquinaria de que dispõem atualmente.

Escrito por ONDA LIVRE