Discutir a situação política do país “sem dramatizar”

Explicar aos militantes a atual situação política do país, é o objetivo das Jornadas “Portugal Caminhos de Futuro”, organizadas pelo PSD e pelo CDS-PP, que têm estado a percorrer o país.

Estas jornadas, que não tinham sido assim inicialmente pensadas, pretendem acalmar as dúvidas dos portugueses. José Silvano, deputado eleito pelo PSD pelo distrito de Bragança, não tem dúvidas de que o país está inquieto, mas não dramatiza todo este processo.

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“Não tenho dúvida nenhuma de que o país está inquieto. Estão as pessoas, as empresas e todos os setores que têm responsabilidades. Não deixa, contudo, de ser uma situação democrática que a democracia há-de resolver. Não vamos dramatizar as coisas.

São questões complexas que precisam de ser resolvidas. Não sei quais se colocarão hoje aqui, mas vamos tentar explicar às pessoas por que é que o governo se devia manter, a legitimidade para governar, que seria nossa (PàF) e não dos outros. E, já que aconteceu isto, o que pode advir daqui. A confiança pode-se perder, a responsabilidade pode, aos poucos, ir-se diluído, e com isso os juros subirem e a economia ter dificuldades de financiamento.

Há uma série de circunstância que é necessário explicar às pessoas, para que quando se à situação posterior pelo menos votem informadamente, e percebam que há dois blocos e que, independentemente do partido em que votem, isto mudou pode haver um governo com parte de esquerda e parte de direita.”

Mas, afinal, o que perde, concretamente, Trás-os-Montes com a situação política atual?

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“Primeiro, a região perde o mesmo que o país – se houver juros mais altos, os nossos empresários têm mais dificuldade em recorrer ao crédito. Depois, perde confiança. Isto é, a confiança que existia nos agentes económicos, quer queiramos quer não, fica diluída com esta crise. E, quer seja este governo, quer seja outro que aí venha, perde as medidas de discriminação positiva, porque vão demorar a ser implementadas. Desse modo perdem as populações. Eu já digo que seja empossado este ou outro governo, que se resolva o mais rápido possível , para que se reponha a confiança no país.”

Manuel Cardoso, líder da distrital do CDS, também é da opinião de que alguns projetos podem ficar comprometidos. E pede à população para não ter medo.

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“Podem ficar comprometidos se não forem tomadas medidas sobre eles. O que acontece é que trazíamos uma trajetória em velocidade de cruzeiro, com muitos investimentos, e que, neste momento, os próprios promotores, dada esta situação de incerteza, já não sabem se hão-de avançar ou não.

Os caminhos de futuro que hoje vamos falar estão muito incertos, mas queremos demonstrar às pessoas que devem permanecer com esperança, e, sobretudo, não ter medo. Estamos perante uma grande cortina de propaganda feita pela Esquerda, uma fraude na interpretação daquilo que foram os resultados eleitorais. Não há legitimidade nenhuma para haver um governo de Esquerda neste momento. E, portanto, estamos aqui para ser portadores de esperança e para que não haja medo na população face ao que nos espera.

Já ultrapassámos momentos difíceis. Lembro-me daquilo que foi o Verão Quente e de como foi ter a Esquerda no governo. Não houve respeito pela propriedade privada nem pelas pessoas. E não queremos voltar a um período assim.”

Do governo de gestão, veio a transmontana Vera Rodrigues, Secretária de Estado da Economia.

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“Trás-os-Montes é uma região, no meu ponto de vista, muito importante, a nível económico e social.

É uma região que em áreas ligadas à agricultura e à indústria tem conseguido dar cartas e demonstrar que, muitas vezes, o isolamento pode ser combatido se houver capacidade de inovar e de iniciativa, e, sobretudo, de aproveitar os recursos existentes.

Creio que apesar de ainda existirem muitas assimetrias entre o interior e o litoral, Trás-os-Montes tem sido uma região que tem conseguido, muito à custa dos últimos apoios do governo à agricultura e a reindustrialização, e dar mostrar de rejuvenescimento em setores que, do meu ponto de vista, são importantes.”

Já em cima da hora, chegou Carlos Costa Neves, Ministro dos Assuntos Parlamentares, que pareceu deixar ânimo aos militantes presentes, ao dizer que quem quer governar “é água e azeite” e a fazer uso das expressões de Paulo Portas, que apelidou Catarina Martins de “Czarina Martins”.

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No nordeste transmontano, as Jornadas “Portugal Caminhos de Futuro” decorreram ontem à noite, no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros.

Perto da hora destas jornadas, Passos desafiava Costa para irem, de imediato, a novas eleições, com recurso a uma revisão constitucional extraordinária.

 

Escrito por ONDA LIVRE