Curta-metragem pode levar Trás-os-Montes ao Festival de Cannes

“Campo de Víboras”, para muitos é conhecida como uma freguesia do concelho de Vimioso, mas agora é também o nome dado a um enredo que coloca Trás-os-Montes como plano de fundo. É isso mesmo, trata-se de uma curta-metragem, levada a cabo pela realizadora Cristèle Alves Meira, natural de França mas com raízes transmontanas, que escolheu algumas aldeias de Vimioso e Mogadouro para criar um drama com algumas bases em lendas da região.

A realizadora levantou o pano e deu a conhecer à Onda Livre um pouco desta história.

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“O filme chama-se Campo de Víboras, que é o nome de uma aldeia de Vimioso, e eu quando era criança sempre fiquei um pouco curiosa por perceber o porquê desse nome e tentei imaginar uma lenda urbana e contemporânea a partir dele. 

É a história da Lurdes, uma mulher de 45 anos que vive na aldeia de Campo de Víboras com a mãe que está doente e não pode andar, vivem na casa da irmã Vitória que emigrou para França, enriqueceu e construiu uma grande casa na aldeia. 

O filme começa com a rotina dessa mulher da aldeia, cujo papel é feito pela Ana Padrão. Ela vai encontrar um homem francês que é caçador e está a chegar aqui à zona, e esse encontro vai fazer com que ela decida partir. O problema é que ela está agarrada à mãe que está sozinha mas mesmo assim decide partir com ele. 

No dia seguinte, as pessoas da aldeia encontram a mãe dela morta na piscina com um ninho de cobras ao pé.

O filme torna-se muito fantástico, incompreensível, existe um mistério que anda em torno de perceber o que aconteceu, porque que as cobras vieram, e acaba assim, com os aldeões a tentarem compreender porque que este drama aconteceu.”

 

A realizadora conta ainda alguns dos motivos que a levaram a escolher Trás-os-Montes para o grande ecrã.

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“A luz, as montanhas, as paisagens, e algo que é muito importante que são as pessoas e a cultura, as histórias que ouvi, as lendas que existem, alguns rituais que a minha avó me ensinou. Tudo isso faz com que se imagine, se conte a vida atual de Trás-os-Montes, mas sempre inspirada de coisas mais ancestrais. “

Uma produção Franco-Portuguesa que conta com nomes conhecidos da ficção nacional como Ana Padrão, Ana Brito e Cunha e Simão Cayatte. Os castings para o restante elenco foram realizados em Macedo de Cavaleiros, Bragança e Vimioso. E também da cidade macedense foi escolhido um personagem importante. Trata-se de Ester Catalão, de 68 anos, membro da Associação dos Jovens Artistas Macedenses há cerca de 4 anos, que vai ter um papel de relevo na história.

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“O meu personagem é uma senhora que vivia em França, a D. Ermelinda, que é a mãe da Lurdes e da Vitória e encontra-se numa cama de onde não pode sair.

Só a  filha Lurdes é que vai ficar por ali a tomar conta de dela. Mas houve um Carnaval e ela andava muito festeira e distraída por lá, então a D. Ermelinda  fartava-se de a chamar e ela não aparecia.”

A atriz não esconde a surpresa e alegria que sente em poder realizar este sonho, e o nervosismo, esse já desapareceu com o hábito de subir a palcos.

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“Nunca participei em nenhum filme, estava nos meus desejos de ser atriz mas nunca pensei que fosse acontecer. Foi uma suspresa e hoje irei saber mais.

Fiquei muito contente, o nervosismo acho que já me passou. Das primeiras vezes que subi a um palco, se me pusessem a mão na boca eu rebentava, o meu coração palpitava, e as primeiras vezes que fiz teatro tive sempre aquele medo de não fazer bem. Agora já vou mais à vontade, já não sinto tanto aquele nervosismo, embora ainda sinta qualquer coisa mínima mas já não é a mesma coisa, a gente habitua-se.”

 

A curta-metragem deverá estar pronta para inícios do mês de março e vai ser exibida no canal televisivo francês, France 3, mas o grande objetivo da realizadora é poder levá-la ao Festival de Cannes 2016.

 

Escrito por ONDA LIVRE