Continuam a faltar especialistas em paliativos para cobrir o sul do distrito de Bragança

140 famílias apoiadas, quase 2 mil visitas em casa e mais de mil contactos telefónicos. É o balanço do primeiro ano da Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos da Terra Fria, criada em parceria pela Unidade Local de Saúde do Nordeste, a Fundação Calouste Gulbenkian e os municípios abrangidos.

A realidade é que cada vez mais pessoas preferem passar os últimos dias de vida em casa, garante Liseta Gomes, responsável da Unidade de Cuidados Paliativos Domiciliários da ULS Do Nordeste.

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“As pessoas, até há pouco tempo, centraram a qualidade dos cuidados no hospital.

De repente, percebeu-se que o hospital pode ter muitas qualidades, mas em relação ao colo familiar está muito longe disso.”

A Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos da Terra Fria, que cobre os concelhos de Macedo de Cavaleiros, Vinhais e Bragança está na estrada há um ano, e ajudou, de março a dezembro de 2015, 140 utentes e as respetivas famílias. Já a Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos do Planalto Mirandês, que funciona há 5 anos em Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro, deu apoio a 300 doentes.

Faltam profissionais para cobrir o sul do distrito.

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“Os médicos do distrito, de uma forma geral, estão muito ocupados noutras atividades. Esta é uma área específica, que é preciso gostar, e que é preciso trabalhar em formação. Como tal, ainda não há quadro suficiente.

Começa a haver médicos internos, especialmente de clínica geral e medicina interna, a querer fazer a formação em paliativos. Como tal esperamos que dentro de pouco tempo possa haver uma cobertura alargada destes cuidados.”

Com um índice elevado de população envelhecida, e tendo em conta que a média de idades dos utentes dos Paliativos ronda os 78 anos, a procura destes cuidados tem vindo a aumentar.

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“A procura neste momento está a aumentar.

Digo com franqueza que tenho algum medo de não sermos capazes, se não nos aumentarem os quadros, de continuar a dar resposta com a qualidade que estamos a dar.

Há pouco tempo foram conhecidos os índices de qualidade em cuidados paliativos, e os nossos são de qualidade. Apesar de estarem no início, haver roturas e defeitos. Mesmo assim, prestamos estes cuidados ao melhor nível, quer nacional quer como no estrangeiro.”

O objetivo é que os cuidados paliativos domiciliários abarquem todo o distrito. Mas, continuam a faltar profissionais para constituir mais uma equipa multifuncional, composta por um médico, um enfermeiro, um psicólogo, um educador social e um fisioterapeuta.

Neste momento, um médico e um enfermeiro com formação base em cuidados paliativos têm prestado serviços pontuais em Alfândega da Fé. Nos restantes concelhos, os doentes com doenças terminais são acompanhados pela Rede de Cuidados Continuados, que não oferecem serviços diferenciados.

 

Escrito por ONDA LIVRE