Médicos transmontanos ajudam no Algarve. Administração Regional de Saúde garante que ninguém sai prejudicado

A escassez de médicos não é uma novidade nas regiões do interior do país, tendo sido já apontada por várias entidades. Ontem voltou a questão voltou a ser levantada, no Jornal de Notícias, com a divulgação do caso de uma criança de Lagos, no Algarve, que foi transportada de ambulância para Lisboa, para o Hospital de Santa Maria, tendo que fazer para isso cerca de 600 quilómetros (ida e volta), para ser operada a uma fratura num braço, devido à carência de profissionais na área de residência. O diário dava conta de que ortopedistas do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes de Alto Douro, onde também faltam médicos, se estariam a deslocar-se para o Algarve para ajudar a colmatar essas lacunas.

Quem reagiu a esta questão foi a Administração Regional de Saúde, que corrige o Jornal de Notícias. Na realidade, os dois médicos e um anestesista que se têm deslocado até ao Sul do País, pertencem à equipa do serviço de Ortopedia de Macedo de Cavaleiros, da Unidade Local de Saúde (ULSNE), e não ao distrito de Vila Real. Mais acrescenta esta entidade, num comunicado subscrito pela ULSNE,  que “a lista de espera na especialidade de ortopedia está devidamente controlada, não existindo sequer, nesta data, a emissão de nenhum vale cirúrgico e, por outro, que os tempos máximos de resposta garantida estão assegurados.”

Deste modo, assegura a Administração Regional de Saúde do Norte, “dentro do espírito de entreajuda”, é possível à ULSNE ceder, temporariamente, entre julho e setembro, estes três médicos, numa altura em que o número de pessoas aumenta, devido ao fluxo de turistas. O Centro Hospitalar do Algarve regista neste momento um elevado défice de médicos. Em Ortopedia, por exemplo, seriam necessários mais quatro. Já equipa do serviço de Ortopedia de Macedo de Cavaleiros é composta por 10 ortopedistas e 11 anestesistas.

Voltando à falta de profissionais de saúde, e segundo um Despacho publicado em Diário da República esta segunda-feira, faltam 11 médicos na Unidade Local de Saúde do Nordeste. As maiores carências pendem sob os serviços de Ginecologia e Obstetrícia, onde, de acordo com o documento, há vaga para dois profissionais, e Medicina Interna (3), que é de resto a que revela mais carência a nível nacional, com 129 vagas para profissionais nos serviços de saúde públicos. Também a Ortopedia e a Anestesia têm uma vaga disponível na ULSNE. No Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, há 35 vagas por preencher. Anestesiologia (3), Medicina Interna (5), Oftalmologia (2) e Ortopedia (2) são os serviços com mais profissionais em falta.

Este levantamento efetuado pelo Governo surge com a intenção “da abertura concursal para elaboração de contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado ou de contrato de trabalho por tempo indeterminado”, pode ler-se no referido Despacho de dia 11 deste mês, ainda que não seja o primeiro do género publicado este ano.

Em Portugal, neste momento, há 736 vagas para médicos, em diversas áreas, por ocupar.

Escrito por ONDA LIVRE