Trabalhadores da Saúde com greve marcada para quinta-feira

Para dia 28 está convocada uma greve nacional dos trabalhadores da saúde.

As reivindicações desta greve são a redução do horário de todos os funcionários para as 35 horas semanais, o ajuste da remuneração das horas extra e a admissão de trabalhadores.

Orlando Gonçalves, da Federação Nacional dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que convoca esta greve, expõe os motivos da luta.

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“Os motivos que levaram a Federação a convocar esta greve para dia 28 são relacionados, essencialmente, com as 35 horas para os trabalhadores com contrato individual de trabalho. Nunca tiveram as 35 horas, é verdade. Os trabalhadores da administração pública é tinham as 35 horas semanais, e perderam-nas. Os trabalhadores nestas condições nunca as tiveram, pelo menos os que assinaram contrato com 40 horas, mas foi uma promessa do primeiro-ministro, António Costa, em reunião com as estruturas sindicais, de que através de um acordo coletivo de trabalho iriam aplicar a todos as 35 horas, uma vez que trabalham todos para o mesmo e nos mesmo serviços.

Entretanto, na semana passada, o Ministério da Saúde chamou-nos para nos dizer que o Governo recuou nessa sua intenção, e que não havia, sequer, um horizonte temporal para voltarmos a falar das 35 horas para os contratos individuais de trabalho.”

Em relação ao pagamento das horas extra, Orlando Gonçalves diz que querem igualdade para todos.

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“Para além do horário de trabalho, alguns trabalhadores têm um prémio por trabalhar mais horas, e outros não têm nada, e quando recebem, uns recebem mais e outros menos. Não há uma igualdade nas horas nem no salário que cada um aufere ao final do mês.”

Orlando Gonçalves acrescenta ainda que os trabalhadores dos serviços de saúde estão a fazer horas a mais, o que coloca profissionais e utentes em risco.

E, em período de verão, espera-se que a greve tenha mais impacto.

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“Não é só pela questão de haver mais pessoas, como os turistas, que viajam nesta altura. É um período em que muita gente está de férias, e vai fazer com que a greve se sinta muito mais. Porque mesmo que sejam menos trabalhadores a aderir, facilmente os hospitais ficam a trabalhar em serviços mínimos, com uma adesão de perto de 100%. Já são poucos os que trabalham acima dos serviços mínimos.

O Governo fica muito preocupado, quando se marca uma greve, se se asseguram ou não os serviços mínimos. Mas, em muitos dias do ano, e sem pré-aviso de greve, os hospitais trabalham em serviços mínimos, devido à falta de pessoal.”

O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Público (SINTAP) mostrou apoio a esta greve, e convocou mais um dia. Para o dia 29 também já o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses tem um pré-aviso de greve. O que significa que os profissionais de saúde podem optar por aderir aos dois dias de greve.

 

Escrito por ONDA LIVRE