5 meses depois, o complexo agro-industrial do Cachão ainda arde

Cinco meses após o incêndio em dois armazéns de papel e plástico prensado no antigo complexo agro-industrial do Cachão, em Mirandela, o material continua em combustão. A empresa responsável pelo armazenamento ainda não removeu os resíduos do local e a população queixa-se dos riscos para a saúde e para o ambiente.

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” Já passaram 5 meses e ainda ninguém fez nada e nem vai fazer. O interesse deles é esperar mais uns meses para que o resto acabe de arder e tenha outras dimensões que os outros incêndios não tiveram.
Se houvesse aqui uma merendada, eles vinham, mas tirar o lixo passa-lhes ao lado, não se importam.”

Declarações de Manuel Freitas, de 65 anos, morador na aldeia do Cachão, que lamenta a falta de actuação eficaz das autoridades locais e nacionais.

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“Arde e continua. Não é um incêndio como seria se fosse qualquer outro tipo de material, que logo se apaga. Com este vai acontecer como um outro anterior que esteve anos a arder.
Se for lá dentro ver a dimensão daquilo, há lá ainda tanto material como aquele que já ardeu das outras duas vezes.
Se até aqui se considerou como sendo um barril de pólvora, o que ainda lá está é, então, uma cisterna de dinamite. E ninguém faz nada.”

Para Fátima Simão, também ela habitante do Cachão, os riscos para a saúde da população são evidentes.

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“Uma pessoa sente-se ofegante, principalmente nesta altura de verão, onde o calor, por si só, já é abundante, e então com este fumo tem tendência a aumentar mais. Mesmo para pessoas que têm problemas de respiração é prejudicial.”

Recorde-se que nos últimos três anos já se verificaram dois incêndios graves – em Setembro de 2013 e Fevereiro de 2016 – em armazéns de plástico e papel prensado da empresa Mira Papel, com sede em Mirandela, naquele complexo industrial e a população teme nova tragédia, uma vez que ainda existe uma enorme quantidade de resíduos no local, num outro armazém.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)