Empreendedores contam com fundos comunitários para começar negócio

Compete 2020, PDR 2020, ou o programa do Governo, destinado a empreendedores, o Startup Portugal – foram alguns dos financiamentos dados a conhecer ontem, em Macedo de Cavaleiros, em mais uma sessão da Rede de Apoio ao Empreendedor Sustentável do Sabor, promovido pela EDP, em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e que abrange cinco concelhos do distrito de Bragança (Miranda do Douro, Mogadouro, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo e Macedo de Cavaleiros).

Para quem quer iniciar um negócio, a valorização dos recursos da região parece ser um caminho. João Calejo, coordenador deste projeto, considera que os fundos comunitários disponíveis não são os ideais, mas são, contudo, os necessários.

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“Estamos no início desta fase. Mas aquilo que se verifica é muito ligado à valorização dos recursos, quer seja pela parte agro alimentar, quer pela comercial de produtos locais e turismo, a maioria dos projetos anda em torno disto.

Claro que todos nós gostaríamos o melhor dos mundos mas isso não existe. Os apoios são o que são, é o que é disponibilizado e eu diria que há praticamente tudo para todos. Portanto, nesta fase eu atrever-me-ia a dizer que temos o que é necessário, era bem pior se não tivéssemos nada disso.”

De relembrar que, noutras edições, a EDP atribuía um prémio monetário a alguns projetos empreendedores selecionados. Este ano, o apoio é logístico, e incide na ajuda na elaboração de um plano de negócios.

Para João Calejo, vale a pena enveredar pelo empreendedorismo em Trás-os-Montes, porque há claras vantagens.

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“Eu acho que temos vantagens que os grandes centros não têm.

Um jovem empreendedor, que comece num destes territórios, tem um conjunto de facilidades que uma grande cidade. Logo à partida, arranjar um espaço para trabalhar é muito mais barato no interior do que, por exemplo, no Porto. Lá, por um espaço muito pequeno pagam 100 ou 150 euros, e talvez até seja um familiar a emprestar.

Portanto, em termos estruturais é muito mais fácil começar um negócio no interior do que no litoral, a questão aqui é o acesso a esse mercado.

Claro que as pessoas que estão nos grandes centros tem acesso a essa informação mais rapidamente, mas, hoje em dia, a informação não está em compartimentos nem isolada. Portanto, acho que é mais um mito que criamos nas nossas cabeças de que o interior tem pessoas que estão fechadas e são umas coitadas, ao contrário daquelas que estão no litoral. Eu não punha as coisas assim.”

No concelho de Macedo de Cavaleiros, segundo afiança o vereador Rui Costa, as áreas de maior aposta são o turismo e a agricultura.

Quanto a se os fundos comunitários são ou não suficientes, Rui Costa considera que se o acesso a fundos perdidos não chegar para começar um negócio, pode não ser uma má perspectiva.

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“Penso que, as iniciativas que têm vindo ter connosco na área do turismo e da agricultura são, de facto, as duas áreas onde há mais aposta e onde as pessoas identificam um potencial maior.

Segundo o que se tem vindo a verificar, o turismo e a agricultura são duas alavancas fortes no nosso concelho.

A ideia do fundo perdido pode ser uma ideia negativa no negócio pela falta de empenho, facilitismo que as pessoas possam ter no próprio projeto.

A ideia de comprometer as pessoas com um empréstimo sem juros com prazos de carência ,obriga a sistematizar o negócio de tal forma a que ele, no futuro, se possa pagar a si próprio e, daí, poder-se iniciar um negócio sem ter o capital inicial próprio mas sim ter recurso a capital alheio com prazos de carência para que possam amadurecer os projetos e, que a partir do ano cruzeiro, seja definido no inicio e o projeto possa ser amortizado com o próprio negócio.”

O município macedense tem também ao dispor da população um gabinete dedicado ao empreendedorismo, pronto para auxiliar quem quer criar o próprio emprego.

Escrito por ONDA LIVRE