Caixas-abrigo para morcegos são já um sucesso

Está a ter um sucesso muito acima das expetativas iniciais, o projeto do Parque Natural Regional do Vale do Tua de colocar caixas-abrigo para morcegos em terrenos agrícolas com o objetivo de ajudarem no combate às pragas.

No primeiro ano, era esperada uma taxa de ocupação de pouco mais de 10 por cento, certo é que, passados nove meses, a taxa de utilização das caixas já chega perto dos 80 por cento.

Fernando Pires

“As pragas são uma ameaça frequente que podem dizimar produções agrícolas com a consequente quebra de rendimento. O Parque Natural Regional do Vale do Tua que abrange os concelhos de Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Murça e Alijó pensou numa solução original para tentar amenizar este problema, que passa pela intensificação da presença de algumas espécies de morcegos, predadores naturais, que consomem grandes quantidades de presas maioritariamente insetos

Nesse sentido em fevereiro deste ano instalou uma centena de caixas de abrigo para morcegos em terrenos agrícolas com o objetivo destes pequenos predadores ajudarem no combate às pragas tornando desnecessário o uso de pesticidas e outros produtos químicos para defender as culturas das pragas.
Para o primeiro ano esperava-se uma taxa da utilização destes pequenos abrigos de pouco mais de 10% mas com apenas nove meses passados a taxa de ocupação já está perto dos 80% como revela o diretor do parque, Artur Cascarejo: «Teve um êxito extraordinário, ultrapassou largamente as expetativas, não só nossas, como inclusivamente das duas universidades que estão a trabalhar connosco nesta área e que ficaram de facto surpreendidos porque a previsão não era que neste momento nós tivéssemos já quase 80% das caixas ocupadas. O que só prova que de facto a análise que fizemos, o diagnóstico que fizemos à situação estava correto. Para além disso também temos tido uma ótima receção pela parte dos agricultores, têm bem a consciência, não do ponto de vista científico mas do ponto de vista prático, da importância de preservar o ecossistema e da importância que certos animais têm para essa preservação. Portanto aqui os morcegos estão a fazer esse trabalho da eliminação das pragas agrícolas. Estamos a ter bons resultados relativamente a essa matéria.»
Segundo Artur Cascarejo estes primeiros resultados são animadores e podem até determinar o alargamento do projeto: «Mesmo na comunidade científica dos biólogos e das pessoas que se interessam por estas matérias nós já fomos convidados para estar presentes e já estivemos, num congresso internacional no País Basco onde o nosso biólogo, que trata destas matérias, o Dr. Pedro Leote esteve presente e apresentou o nosso projeto, que de facto mereceu uma grande atenção e um grande interesse e portanto poderemos eventualmente, não só a nível nacional como a nível internacional esta boa prática que estamos a aplicar aqui no Parque Natural Regional do Vale do Tua pode vir a ser replicada noutras realidades sim.»
Entretanto já começaram a ser feitas as primeiras análises laboratoriais para saber quais as espécies de morcegos que apresentam melhores resultados no combate às pragas. Este projeto implica um investimento de 200.000€, financiado pelo Fundo de Conservação da Natureza e da biodiversidade. Tem a duração de três anos e a coordenação é do Parque Natural Regional do Vale do Tua com a colaboração de um biólogo a tempo inteiro e o apoio especializado do Centro de Investigação em Biodiversidade da Universidade do Porto.”

Os morcegos a ajudarem os agricultores a combater as pragas agrícolas, em propriedades situadas na área do parque natural regional do Vale do Tua. Um projeto que está a ter muito sucesso, com uma ocupação das caixas-abrigo sete vezes superior ao expetável.

 

Créditos da imagem: http://parque.valetua.pt/

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Terra Quente)