Hernâni Dias está “dececionado” com falta de atenção do Secretário de Eatdo da Energia para com dois projetos da Resíduos do Nordeste

A Resíduos do Nordeste pretende implementar mais dois projetos para a sustentabilidade do seu parque ambiental, em Urjais, no concelho de Mirandela, para onde são depositados todos os resíduos produzidos no distrito de Bragança e ainda do concelho de Vila Nova de Foz Coa.

Trata-se de um sistema fotovoltaico e uma central para a valorização energética dos resíduos rejeitados. Projetos que ainda estão em fase de avaliação, mas que o Hernâni Dias, presidente do conselho de administração da empresa intermunicipal, fez questão de dar a conhecer e solicitar apoio ao secretário de Estado da Energia, ontem, durante uma visita de João Galamba.

O membro do Governo não abordou o assunto, o que deixou Hernâni Dias muito dececionado.

O diretor-Geral da Resíduos do Nordeste, Paulo Praça, explica que projetos são estes, ainda em fase de avaliação:

“A ideia já tem algum tempo e refere-se à instalação de um sistema fotovoltaico na cobertura da unidade de tratamento mecânico e biológico, que nos permitia produzir energia para 65% do consumo e ter ainda um excedente para venda da energia à rede. Portanto, seria um sistema que tornaria a unidade mais do que auto-suficiente.

Outra situação que preocupa a Resíduos do Nordeste é a valorização energética dos rejeitados, ou seja, aquilo que hoje são 50% dos rejeitados que nós temos no sistema, que atualmente estão a ir para a terra, coloca-se o grande desafio de como valorizar esses resíduos, sendo que a que nos parece mais adequada é a valorização energética. Gostaríamos de estudar as possibilidades de valorizar energeticamente esses resíduos.”

Se o sistema fotovoltaico já tem uma previsão de custos, na ordem dos 180 mil euros, a central de valorização energética dos rejeitados ainda está em fase preliminar de avaliação de custos. O presidente do conselho de administração da Resíduos do Nordeste, Hernâni Dias, aproveitou a visita de João Galamba para pedir apoio para estes dois projetos:

“Deixamos estes pequenos recados ou solicitações ao senhor Secretário de Estado da Energia para que olhe também para o interior. Não basta fazer visitas aos locais, é preciso que haja vontade de perceber aquilo que está acontecer no terreno e, efetivamente, quem tem a responsabilidade política para tomar decisões nesta matéria é ao senhor secretário de estado e o Governo que ele aqui representa.

Tivemos muito gosto em recebe-lo, mas achamos que deveria ser conhecedor também destas nossas pretensões para que amanhã possa ajudar-nos, possa tomar decisões consentâneas com aquilo que são os nossos interesses.”

Só que o Secretário de Estado da Energia, durante a sua intervenção protocolar, que durou três minutos, não fez qualquer alusão ao assunto. Também não adiantou muito mais quando confrontado pela comunicação social:

Estamos abertos a tudo o que seja bom para estes territórios, e o que for bom para o país merecerá, como é evidente, a nossa melhor atenção. Se forem projetos meritórios e que mereçam ser apoiados, sê-lo-ão.”

Ora, perante esta indiferença de João Galamba, Hernâni Dias não conseguiu disfarçar alguma deceção:

“Esperava que houvesse, da parte de um governante, uma atitude diferente. Nem que tivesse abordado o assunto para dizer que vão pensar ou que estão a trabalhar nesse sentido. 

Obviamente que aquilo que o senhor secretário de estado fez e a forma como reagiu a esta situação, para mim, foi um pouco dececionante, mas acredito na boa vontade dos homens e também, eventualmente, na boa vontade dos governantes para que as coisas possam acontecer, mesmo que não tenham sido referidos. Seria de bom tom tê-lo feito, não o fez, eventualmente por opção, mas vou acreditar que tenha sido por qualquer outra razão.”

O autarca de Bragança e presidente da administração da Resíduos do Nordeste desiludido com a falta de resposta ao pedido de apoio para mais dois projetos que a empresa intermunicipal pretende implementar a curto prazo.

O Secretário de Estado da Energia foi conhecer o Projeto Biogás Move, localizado no Parque Ambiental do Nordeste Transmontano, que visa o tratamento e aproveitamento do biogás, em aterro, injetando-o como combustível para os camiões de transporte de resíduos.

João Galamba diz tratar-se de um belo exemplo de pura economia circular e mostra que no interior é possível ter um projeto de vanguarda:

“Ter  a possibilidade de ver lixo bastante fedorento a ser valorizado nas suas múltiplas dimensões e depois alimentar as próprias viaturas que fazem a recolha, não poderia  haver exemplo mais prefeito de economia circular do que este. O que eu desejo, como secretário de estado da energia, é o sucesso deste projeto. São excelentes notícias para os municípios que participam neste projeto, mas também, e arrisco-me a dizer, para todo o país. Sabermos que podemos dar uso desta natureza aos detritos produzidos em todo o lado, é obviamente muito positivo.

Temos aqui temos um bom exemplo que pode e deve ser replicado em todo o país.”

Refira-se que este projeto Biogás Move está a ser implementado pela empresa Biogold, em parceria com a Resíduos do Nordeste e representa um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros, apoiado pelo Fundo de Apoio à Inovação.

INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)