De 2 a 5 de março, o chocalho é rei na aldeia de Podence

A poucos dias do início das festividades do Entrudo Chocalheiros, ultimam-se os preparativos para receber milhares de foliões que rumam até à aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros para participar num Carnaval que é único no país.
Considerado como o Carnaval mais genuíno de Portugal, o Entrudo Chocalheiro faz parte do ciclo de festas de inverno, onde os reis são os Caretos, que percorrem as ruas com os seus fatos feitos de colchas franjadas, maioritariamente de lã vermelha, verde e amarela, as máscaras, as campainhas traçadas ao peitos e, claro, os pesados chocalhos presos à cinta que servem para “chocalhar” as raparigas, principalmente as mais novas e solteiras, num ritual de fertilidade.
Mas quatro dias de Entrudo Chocalheiro requerem muita preparação durante o ano para que nada falhe num evento que é já uma referência a nível nacional, como refere o presidente da Associação Grupo dos Caretos de Podence, António Carneiro:

“Eu costumo dizer que nós começamos a trabalhar este evento no dia após o do ano anterior.

Já se tornou uma festa de dimensão nacional, diferenciada, com muitas atividades, que atrai milhares de visitantes de norte a sul do país, e ainda da vizinha Espanha. De ano para ano são cada vez mais e queremos que venham e voltem em anos seguintes.”

Os fatos são feitos manualmente pela população da aldeia, que ao longo dos anos têm feito questão de fazer passar esta arte de geração em geração:

 

“Ainda temos a sorte de ter seguidores que fazem os fatos e as máscaras, o que é uma mais-valia para que a tradição tenha sustentabilidade e passe de geração em geração.

Este também é um testemunho forte para a tradição, que nos anos 60 esteve quase extinta e hoje está bem viva.”

E ser careto, uma tarefa apenas permitida para o sexo masculino, tem atraído cada vez mais interessados:

“Neste momento, temos muita gente que quer assumir o simbolismo de ser Careto e vemos isso pelo grupo e pelas pessoas de Podence que estão lá fora e, de ano para ano, mandam fazer mais trajes. É o reavivar daquilo que outrora, em tempos mais jovens, eles viveram e faz com que haja cada vez mais caretos.”

Mas foi nos últimos anos que a festas destes mascarados transmontanos ganharam mais projeção. Em 2017 foram considerados Património Cultural Imaterial de Portugal e aguardam pela resposta da UNESCO à candidatura a Património Imaterial da Humanidade, que se vai conhecer em dezembro deste ano.
Uma festa que traz consigo um cartaz cada vez mais preenchido, do qual se destacam as típicas tabernas, mais abundantes este ano, abertas propositadamente para o Entrudo Chocalheiro, para as quais são transformados alguns espaços que durante o ano têm outras utilidades, em típicas tabernas onde não falta a boa gastronomia transmontana.
Os pregões casamenteiros, a queimada e os caretos à solta, são só alguns dos pontos altos que antecedem o grande dia, a terça-feira de Entrudo, em que os visitantes esperam ansiosamente pela procissão da queima que dá então início à Queima do Entrudo, simbolizada por um mega careto ao qual é posto fogo, encerrando assim as festividades.
Quatro dias para os quais são esperados entre 20 a 40 mil visitantes que trazem um retorno económico para o comércio local que pode chegar ao meio milhão de euros, como refere o presidente da câmara, Benjamim Rodrigues:

 

“Estamos na expectativa de receber bastantes visitantes, podem ser 20, 30 ou até 40 mil, e é um fim de semana prolongado que tem sempre uma grande afluência de forasteiros.

Imaginemos que temos 600 dormidas por noite no concelho, o que se multiplicarmos por quatro dias, dá 2400. Se for uma média de 40€ por noite, temos aqui cerca de 100 mil euros, replicados também pela restauração e pelo comércio local.

Podemos facilmente apontar para um movimento financeiro que pode chegar ao meio milhão de euros.”

O autarca adiantou também que, ainda durante as festividades deste ano, está prevista a inauguração de uma escultura de careto com dez metros de altura na aldeia de Podence, como forma de homenagear aqueles mascarados.

Este ano, haverá também transporte entre Podence e a cidade de Bragança nos dias 3, 4 e 5.
Exposições, visitas guiadas, conferências, raids fotográficos, experiências de pintura de máscaras, barraquinhas, mostra e venda de produtos regionais e ainda a animação musical, são só algumas das opções disponíveis para quem visitar a aldeia de Podence e participar no Entrudo Chocalheiro que decorre de 2 a 5 de março.

Esta tarde, os Caretos de Podence vão andar pelas ruas da Baixa do Porto numa ação que pretende divulgar a candidatura a Património Imaterial da Humanidade.

Escrito por ONDA LIVRE