Megaprocesso com cartas de condução em Bragança vai voltar a tribunal com 118 novos arguidos

Respondem pelo crime de corrupção activa para acto ilícito e 97 deles também pelo crime de falsificação de documento, reportando-se estes factos ainda à actividade dos centros de exame de condução de Bragança e de Mirandela entre 2004 e 2013.

No âmbito deste megaprocesso de uma rede de corrupção com cartas de condução, já foram julgadas 111 pessoas, em Bragança, a maioria das quais foi condenada, nomeadamente 8 examinadores e 26 intermediários, mas também escolas de condução, médicos e candidatos a obtenção da carta de condução.

A informação relativa às novas sessões de julgamento foi divulgada sexta-feira na página oficial da Procuradoria-Geral Distrital do Porto, que dá conta da decisão do Tribunal Judicial da Comarca de Bragança de levar agora a julgamento estas pessoas que ainda não se sentaram no banco dos réus.

O julgamento começou em 2015 e terminou em 2017, em Bragança. Estes arguidos agora acusados não responderam criminalmente, na altura, porque beneficiaram da suspensão provisória do processo, com o compromisso de contribuírem para a verdade. O tribunal entendeu agora que isso não aconteceu e, por isso, foram pronunciados para serem julgadas em data ainda a agendar.

Neste megaprocesso está em causa o esquema montado de viciação de resultados das provas teórica e prática de condução, de modo a possibilitar, a troco de dinheiro, a aprovação nos exames a pessoas sem condições ou disponibilidade para obter a carta de condução, nomeadamente por não saberem ler nem escrever, por não terem residência em território nacional e não conseguirem cumprir o número de aulas presencias de formação obrigatórias ou por já terem reprovados antes várias vezes.

Os arguidos que agora se vão sentar no banco dos réus eram candidatos, beneficiaram deste esquema mediante o pagamento de importâncias em dinheiro para a aprovação em exame com vista à obtenção de título de condução.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)