Centenas de pessoas protestaram contra encerramento temporário da urgência cirúrgica do Hospital de Mirandela

Centenas de pessoas protestaram contra encerramento temporário da urgência cirúrgica do Hospital de Mirandela

Centenas de pessoas marcaram presença, na tarde do passado sábado, no cordão humano em protesto contra o encerramento temporário da urgência cirúrgica do hospital de Mirandela, numa iniciativa promovida pelo executivo do Município, receando que esta medida possa tornar-se definitiva e venha a prejudicar mais de 45 mil pessoas, dos cinco concelhos do sul do distrito, que recorrem àquela urgência.

Quem aderiu não escondeu a preocupação com as sucessivas perdas de valências na unidade hospitalar:

“Já nos tiraram tanta coisa aqui de Mirandela que só falta deitar o hospital abaixo.

Nós também pagamos os nossos impostos. Agora mandam tudo para Vila Real e Bragança. Só nos fica o palácio. Pouco a pouco foi tudo embora daqui e isso não se admite.”

“Estive na inauguração e Mirandela era uma cidade, agora nem para vila tem jeito.

Levam tudo e não temos nada. Só não levam o hospital porque não podem arrancar.”

Um cordão humano de abraço ao hospital de Mirandela”. Foi assim que o executivo da Câmara de Mirandela chamou à iniciativa.

Chamar a atenção aos governantes que apesar deste tempo difícil das urgências e das greves às horas extraordinárias dos médicos, não sirva de argumento para que a cirurgia da urgência do hospital de Mirandela continue encerrada. Foi o objetivo desta iniciativa, segundo a presidente do Município, Júlia Rodrigues, lembrando que está em causa o serviço de urgência aos mais de 44 mil habitantes dos concelhos de Mirandela, Alfândega da Fé, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães e Torre de Moncorvo:

 “Nós temos muito receio que esta iniciativa, que todos asseguraram ser temporária, se torne definitiva.

Por isso acontece este cordão humano, mas também para agradecer a todos aqueles que trabalharam e trabalham neste hospital, e que tantas horas dedicam a toda a nossa comunidade.

O sul do distrito escoa para Mirandela e, portanto, este hospital é muito necessário e estas urgências são vitais.”

Júlia Rodrigues justifica esta tomada de posição perante a falta de garantias reais por parte da administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste:

“As garantias são sempre determinadas por fatores externos, dizem, à ULSNE, nomeadamente a disponibilidade de médicos.

Temos aqui médicos que foram deslocados para a urgência do hospital de Bragança e queremos que eles voltem logo que este período de greve termine. É isso que nós estamos e vamos continuar a exigir.”

A especialidade de cirurgia-geral da urgência do hospital de Mirandela, está, desde o passado dia 8 de outubro, sem qualquer especialista de serviço, e assim vai estar, pelo menos, até ao dia 30 de novembro, dado que é a data limite da validade das escalas.

Os três cirurgiões que sempre estiveram afetos ao serviço de urgência do hospital da cidade mirandelense, foram alocados, desde aquela data (8 de outubro) à urgência do hospital de Bragança, alegadamente, por constrangimentos na elaboração de escalas devido à recusa da maioria dos médicos em realizar trabalho extra para lá das 150 horas.

Até ao momento, a administração da ULSNE nunca deu qualquer explicação oficial para esta medida, nem tão pouco esclarece se a situação será apenas provisória ou poderá vir a ser definitiva.

Júlia Rodrigues avançou ainda um dado novo: que o serviço de pediatria pode estar igualmente em perigo:

“Este argumento que hoje estão a usar para estarmos com as urgências encerradas pode ser um argumento para que o encerramento seja definitivo, assim como a parte de pediatria, que também é um serviço que temos aqui e não podemos perder.

Eu julgo que poderá estar tudo em risco quando os argumentos são sempre os mesmos: a falta de médicos. Mas os médicos que estavam aqui, antes do encerramento, terão que vir depois do período de greves ultrapassado.”

Por agora, a única certeza, é que pelo menos até à próxima quinta-feira, continua encerrada a urgência de Cirurgia Geral do Hospital de Mirandela.

Fotos: Município de Mirandela

INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)

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