Comunidades imigrantes têm vindo a aumentar no distrito de Bragança

Comunidades imigrantes têm vindo a aumentar no distrito de Bragança

A par do que acontece no país, também no distrito de Bragança tem vindo a aumentar o número de imigrantes.

Têm como principal país de origem o Brasil e têm sido um importante contributo para a resolução de alguns problemas, como a baixa natalidade e a falta de mão de obra, avança Ivone Florêncio, técnica do Núcleo Distrital da Rede Europeia Anti-Probleza (EAPN) de Bragança:

“O número de pessoas imigrantes residentes nos nossos distritos e concelhos tem aumentado substancialmente, tem sido um importante contributo para a economia local, para a resolução de problemas estruturais que vinham desde alguns tempos a manifestar-se e agudizar-se no nosso território, nomeadamente as baixas taxas de natalidade, o despovoamento, a emigração dos jovens e a diminuição do número de pessoas ativas no território. As estatísticas mostram-nos também que os imigrantes que chegam ao nosso país, comparativamente com o envelhecimento gradual da população, são pessoas em idade ativa e fértil que vem contrariar esta realidade da baixa natalidade, de mão-de-obra disponível para trabalhar e pessoas qualificadas, embora haja aqui algumas dificuldades ao nível da legalização e das habilitações, mas é mão-de-obra qualificada.”

Um dos exemplos deste crescimento é Macedo de Cavaleiros, que já tem várias comunidades estrangeiras, sendo a búlgara aquela que tem maior expressão.

Muitas vezes a barreira linguística dificulta a integração. Para auxiliar estas pessoas, o Município tem algumas medidas implementadas, como refere a vereadora Susana Viana:

“Temos várias comunidades expressivas, uma búlgara, uma brasileira e uma santomense, que já têm alguma expressão.
A integração é mais difícil em algumas comunidades devido à barreira linguística e cultural. Quando falamos a mesma língua é muito fácil resolver os problemas, quando temos a dificuldade da barreira linguística a integração, por vezes, não é a melhor.
Temos um gabinete de apoio ao imigrante e ao migrante. Damos-lhes todo o apoio logístico em termos de documentação, a nível da Segurança Social, de Finanças, saúde, ou seja, eles vão ter connosco e nós tentamos dar-lhes uma resposta. Encaminhamos para o programa incorpora ao nível de emprego, dando-lhes uma resposta transversal em todas as áreas.”

Destas comunidades, a brasileira é a que está melhor integrada e, ao contrário dos demais, normalmente quanto vêm para o país já têm perspetivas de emprego.

O maior problema é a falta de habitação:

“Temos alguma dificuldade, neste momento, no alojamento, porque há uma procura muito grande da parte da comunidade brasileira, mas não temos resposta a nível de alojamento.
Fizemos uma candidatura ao Primeiro Direito para a construção de 16 fogos e esperamos que, num futuro breve, comecemos a obra, que vai dar uma resposta à necessidade que sentimos neste momento. Serão no Bairro da Alegria.
As outras comunidades vêm em busca do desconhecido, à procura de emprego porque nos locais onde vivem ouvem falar que Macedo de Cavaleiros é um território bom para se viver.”

Em plena semana da interculturalidade, que terminou este domingo, o Núcleo Distrital Rede Europeia Anti-Pobreza promoveu em Macedo de Cavaleiros uma mesa redonda, que contou com o testemunho de imigrantes residente no concelho e algumas entidades locais, nomeadamente o Município, a Santa Casa da Misericórdia e uma entidade empregadora de migrantes:

“Que reflitam e promovam o diálogo e a informação sobre as comunidades estrangeiras, sobre a interculturalidade, tendo em conta que somos um país cada vez mais multicultural, que existem ainda muitos preconceitos, estereótipos e discursos xenófobos, que condicionam a inclusão destas comunidades e, por isso, é sempre importante refletir, informar e sensibilizar, sobretudo refletir no que fazemos e poderemos fazer para melhorar a inclusão e inserção destas comunidades, que são cada vez mais residentes do nosso país também.”

Durante a semana passada desenvolveu atividades centradas no tema da inclusão em diferentes pontos do distrito de Bragança.

Escrito por ONDA LIVRE

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