É onze vezes mais caro um trabalhador de uma barragem do que um trabalhador no Turismo Rural no Vale do Tua, afirma João Joanaz de Melo

Criar um emprego na área do Turismo Rural no Vale do Tua é onze vezes mais barato do que criar um posto de trabalho numa barragem.

A afirmação é de João Joanaz de Melo, dirigente da GEOTA e Diretor Técnico da Plataforma Salvar o Tua, que defende que é necessário investir na eficiência energética.

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“Ao nível do desenvolvimento local significa investir no que a região tem de bom. Trabalhos que foram feitos em universidades portuguesas, indicam que um emprego criado na área do turismo rural no Vale do Tua é onze vezes mais barato do que criar um emprego numa grande obra publica, como barragem.

Ao nível do desenvolvimento local, claramente a aposta seria nos valores locais, na criação de uma rede económica local assente nos valores locais.

Ao nível nacional concretamente, em relação à energia, a grande aposta deve ser na eficiência energética, e não na construção de obras megalómanas que não trazem nenhum valor acrescentado ao país. Antes pelo contrário, apresentam um custo adicional para os consumidores.”

João Joanaz de Melo acrescenta que há barragens que podem ser reforçadas, dispensando-se assim a construção de novas infraestruturas.

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“Há várias barragens que já beneficiaram desses reforços de potência. Por exemplo, uma que ainda não começou a obra, embora o projeto, esteja aprovado,  é a barragem de Paradela. E há várias, nomeadamente o sistema Cávado e o sistema Douro que já beneficiaram destes postos de potência.

É um tipo de projeto que é positivo, uma vez que com um impacto mínimo e com custos muito baixos permite reforçar a produção da eletricidade nessas barragens, e portanto, estes projetos são positivos.

A nossa crítica vai para o chamado Programa Nacional de Barragens, dito de elevado potencial hidroelétrico. Na verdade, tem um potencial muito baixo, tem um custo muito alto. A barragem de Foz Tua enquadra-se nesse pacote. É um dos casos mais escandalosos, porque não só é totalmente desnecessário, como destrói um património verdadeiramente único, como é o vale do Tua, e põe em causa as exigências da UNESCO no que toca ao Património Mundial.”

E há outras alternativas à construção de barragens, acredita João Joanaz de Melo.

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“A eletricidade produzida nestas barragens será extremamente cara, e é verdadeiramente desnecessária, até porque os consumos da eletricidade em Portugal estão a diminuir.

Seria muitíssimo mais importante apostar noutras formas de energia. Eu cito apenas três – em primeiro lugar apostar na eficiência energética que é cerca de dez vezes mais barata do que cada quilowatt produzida nestas novas barragens; em segundo lugar o reforço de potencias de barragens antigas; em terceiro lugar apostar em formas de energias alternativas, das quais se destaca a energia solar.”

Hoje é votada no Parlamento a petição “Manifesto pelo Vale do Tua”, às três da tarde. A petição pede a suspensão imediata das obras da Barragem de Foz Tua, a revogação da Portaria que atribui às empresas de energia um subsídio de 300 milhões euros e a reabertura do processo de classificação da Linha do Tua como Monumento de Interessa Nacional.

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“(Esta petição) Serve para que a Assembleia da Republica tenha a oportunidade de se pronunciar sobre o caso da barragem de Foz Tua e a consequente destruição do Vale do Tua.

O objetivo profundo da petição é criar um modelo de desenvolvimento fiável para o Vale do Tua e para o Alto Douro, que no entender dos peticionários, que são mais de 7 mil, tem como única hipótese de um desenvolvimento digno para as populações locais assentar nos valores que esta região tem, nomeadamente no rio, na linha de ferro, na fantástica paisagem, num conjunto de valores culturais, ecológicos e económicos locais.

Um passo para que esse modelo seja possível é parar a construção da barragem do Foz Tua, que será totalmente inútil, não cumpre os objetivos para os quais, supostamente, tinha sido aprovada, não produz desenvolvimento local durável e é penosa para o país, quer ao nível do sistema energético, quer ao nível dos valores que destrói.”

João Joanaz de Melo pensa que já há mudança nas mentalidades, e que os movimentos pela Linha do Tua e pelo Vale do Tua estão cada vez mais vivos, com o apoio da população e de associações locais e empresários vitivinícolas e do Turismo.

A construção da barragem do Tua encontra-se no chamado pico da obra com mil trabalhadores e 60% dos trabalhos executados.

A concessionária EDP disse à Agência Lusa que “o enchimento da albufeira e entrada em serviço está previsto para 2016”.

O empreendimento faz parte do Plano Nacional de Barragens e começou a ser construído em fevereiro de 2011 com um investimento previsto de 305 milhões de euros.

Desde que foi anunciada que tem sido alvo de polémica com partidos e movimentos a pedirem a suspensão do projeto, uma reivindicação que será reiterada, esta quinta-feira, na Assembleia da República com o debate de três iniciativas: uma petição da Plataforma Salvar o Tua, um projeto de lei do Bloco de Esquerda (BE) e um projeto de resolução do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV).

Na base da contestação estão os impactos no património natural do rio transmontano, no Alto Douro Vinhateiro, Património da Humanidade, e a submersão de parte da linha do Tua.

 

Informação CIR (Rádio Onda Livre e Rádio Ansiães)

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