Nesta exposição pode colocar as mãos na massa e realizar a sua própria obra de arte.
Quatrocentos quilos de barro para os visitantes criarem a sua obra de arte, é a nova proposta, que está patente, desde sexta-feira passada no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, com a nova exposição intitulada “A Revolução a Chegar a Todos”, com o objetivo de ser interativa.
Tratam-se de dois projetos coletivos dedicados às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e uma seleção de obras individuais de sete artistas, e que já esteve em exibição na Bienal de Gaia.
A curadoria desta exposição esteve a cargo de Inês Falcão, Rui Ferro e Marta Lima.
A professora macedense e que está responsável pala dinamização da cultura, destaca que se pretende meter a mão na massa, para os visitantes deixarem a sua peça:
“É uma exposição de interação, como teve a oportunidade de ver, que nós estivemos ali com as mãos na massa ou no barro, neste caso. E podemos, no fundo, deixar fluir o nosso pensamento e a nossa criatividade sobre a peça que queremos fazer e que só nós sabemos qual é o significado que ela tem. E portanto, o objetivo, no fundo, é trazer várias pessoas ao Centro Cultural e que deixem a sua marca naquele hexágono que está ali de contraplacado.”
E também apela a que os visitantes venham ao Centro Cultural e que usem o barro, e que não tenham receio:
“Para já temos 400 quilos de barro, mas se fizerem falta nós trazemos mais. O barro, tem muita plasticidade, praticamente não suja, portanto estamos a trabalhar nessa sensação, que temos de estar a amassar o barro e a poder produzir a peça que nós queremos fazer, e é excelente. Ao nível do domínio psicomotor e da sensibilidade é excelente. Portanto, não tenham medo porque o barro não vai sujar mesmo.”
Já Marta Lima destaca que o objetivo deste projeto é ser um palco de expressão para a comunidade:
“A ideia é que as pessoas possam ir colocando as suas peças que vão fazendo e ser uma surpresa para todos, para elas e para nós. Porque à medida que vai crescendo, ninguém sabe o que é que o outro vai colocar, não é? Portanto, é criar aqui um espaço de liberdade para que toda a gente poder participar.”
E há uma ligação nos dois projetos ao nível de materiais, no uso do barro, em que o objetivo foi criar placas com palavras de ordem e reivindicativas, como acrescenta Marta Lima:
“Portanto, nós pegamos na frase da música do Sérgio Godinho, que é paz, o pão, habitação, saúde, educação, e fomos construindo com os participantes placas de barro em que depois construímos as palavras. Aqui tens saúde… E as palavras todas estão compostas como se fossem píxels. Como se fossem pontinhos e as palavras são feitas e depois nós montamos nos painéis. E este trabalho foi feito por todos os participantes da ação. Foi uma ação que aconteceu durante um ano.”
O outro curador, Rui Ferro, na apresentação, garantiu que a revolução começa quando se pensa diferente:
“É importante mostrar diferente. Da autoria partilhada, e que vai ser partilhada ainda por muita mais gente. No fundo estamos a montar um palco para que as pessoas possam expressar as suas ideias, desejos e mensagens e isso passa a ser uma coisa coletiva. No fundo, o nosso trabalho foi pensarmos numa unidade mais circunscrita. O palco que íamos oferecer aos outros. Portanto eu acho que isso é pensar diferente, tu vires a um sítio que não vens ver a exposição, vens fazê-la e participar como podes. Claro que há uma grelha e um programa, mas pode ser disruptivo.”
Fernando Maia, arquiteto que fez parte do projeto da Unidade Básica de Revolução acrescenta que o objetivo é que as pessoas sejam livres:
“E é nesse sentido, é a liberdade que as pessoas possam exprimir e expor”.
A exposição “A Revolução a Chegar a Todos” vai estar patente até ao próximo dia 31 de outubro.








