Municípios transmontanos com garantia de liquidação dos 335 milhões de euros de impostos da venda de barragens no primeiro semestre

Os municípios transmontanos receberam garantias de que os 335 milhões de euros em impostos relativos à venda de seis barragens no Douro serão liquidados ainda durante o primeiro semestre deste ano.

A informação foi avançada após a reunião realizada esta quarta-feira com a diretora-geral da Autoridade Tributária (AT).

Segundo o vereador da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Vítor Bernardo explicou que existe essa garantia. Neste momento, o processo está em audiência prévia de interessados e vai ser determinado o valor do imposto a cobrar:

Na reunião estiveram presentes os presidentes das câmaras de Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo, Miranda do Douro e Mogadouro, em representação dos dez municípios transmontanos envolvidos no processo, que incluem também Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Murça, Sabrosa e Alijó.

O prazo para esta liquidação decorre até outubro deste ano. Vítor Bernardo confessa que há esperança, apesar da demora da cobrança efetiva:

Recorde-se que estão em causa impostos como o IMI, o IMT e o Imposto do Selo, associados à venda de seis barragens situadas em Trás-os-Montes — Miranda do Douro, Picote, Bemposta, Baixo Sabor, Feiticeiro e Tua.

As infraestruturas foram vendidas pela EDP, em 2020, por cerca de 2,2 mil milhões de euros, a um consórcio liderado pela empresa francesa Engie.

Na altura, o negócio não foi sujeito ao pagamento de Imposto do Selo nem de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis, o que levou o Ministério Público a abrir um inquérito para investigar eventuais suspeitas de fraude fiscal.

Em outubro de 2025, o Ministério Público decidiu arquivar as suspeitas criminais, mas concluiu que o Estado tinha a receber cerca de 335,2 milhões de euros em impostos, determinando que a Autoridade Tributária procedesse à respetiva cobrança.

Por sua vez, a EDP sempre defendeu que cumpriu todas as obrigações fiscais previstas na lei.

Desde a venda das barragens, o Movimento Cultural da Terra de Miranda tem também contestado publicamente o processo, considerando que o negócio levanta questões de legalidade.

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