Militar considerado perigoso vai ser julgado em breve, no Tribunal de Vila Real

Um militar da GNR na reserva vai ser julgado, no Tribunal de Vila Real, por ter disparado 11 vezes, contra um colega militar no Posto de Trânsito de Chaves. Este militar também pretendia incendiar e destruir o mesmo posto.

O militar com 55 anos, foi acusado pelo Ministério Público pelos crimes de homicídio qualificado, na forma tentada, por atos preparatórios de um crime de incêndio, explosões e outras condutas especialmente perigosas, e ainda por detenção de arma proibida.

O julgamento está marcado para breve. A notícia é avançada pela Agência Lusa.

O caso remonta a 3 de agosto do ano passado, quando este militar na reserva, entrou no final da tarde, pelas 19h00, no Posto de Trânsito de Chaves, e estava o colega que tentou atingiu com 11 disparos até ser travado.

O homem também usou “cocktails molotovs” para tentar destruir e incendiar o posto.

Na sua viatura foi encontrado ainda, um machado, um cutelo, um martelo, rolo de fita castanha, isqueiros e munições e quando entrou no posto levava um revólver e um isqueiro.

O que aconteceu nesse dia, explica a agência Lusa. O militar quando se dirigiu ao posto, o homem de 55 anos, questionou se existia alguma notificação para si, e solicitou ida à casa de banho. Quando regressou, apontou um revólver ao militar e disparou. Não conseguiu acertar, porque o militar de serviço se atirou ao chão, e rastejou até uma segunda porta da secretaria e saltou pela janela.

Depois disto, o militar de serviço regressou ao mesmo local e aproveitando um momento de carregamento da arma, agarrou-o, agredido-o com quatro pancadas na cabeça, conseguindo afastar a arma. Mesmo assim, o militar agressor, “usou o fiador da arma (acessório que prende a arma ao cinto) para tentar apertar o pescoço do guarda que se conseguiu soltar e imobilizar o atacante até à chegada de um outro militar da GNR”.

O Ministério Público (MP) ainda refere que este homem era perigoso, e que conhecia as características de todos os objetos que adquiriu e fabricou, nomeadamente os engenhos incendiários artesanais, e considera que disparou por motivo despropositado e incompreensível face ao senso comum.

O MP relaciona os factos com a circunstância de o próprio arguido sentir revolta para com a instituição GNR e os seus colegas de serviço, motivo que considera ser totalmente “irrelevante e fútil perante o valor da vida de outro ser humano”.

Antes da sua passagem à reserva, efetuou várias queixas ao MP e à instituição da GNR, relacionadas com o posto onde exerceu funções pelo menos durante 20 anos, com superiores hierárquicos e colegas de trabalho e fez ainda declarações, perante militares, como “o posto de Chaves vai ser mais conhecido do que o Santuário de Fátima”.

O MP considera que o arguido atuou de modo livre e deliberado e que era portador de uma perturbação delirante crónica, no entanto, diz que é inimputável, com risco de perigosidade para si e para terceiros.

Está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional Militar de Tomar, desde agosto.

Escrito por Rádio ONDA LIVRE
* Imagem genérica
_ GNR