Foi encontrado o corpo de João Natário, militar natural de Macedo de Cavaleiros, que morreu há quase um ano, em operações de combate ao serviço das Forças Armadas da Ucrânia, na localidade de Myrne, região de Zaporizhzhia.
João Luís Chaves Natário, de 38 anos, integrava a Legião Estrangeira Militar Francesa de Defesa Territorial da Ucrânia, e morreu a 3 de julho de 2024, durante um bombardeamento russo que ocorreu no leste do país, onde combatia como voluntário.
Agora, a Embaixada de Portugal em Kiev, foi informada, a 2 de junho de 2025, pelas autoridades da Ucrânia da confirmação da morte de João Natário, através de exames forenses concluídos a 16 de maio de 2025.
O corpo foi transportado para Kyiv, pela agência funerária Veles, que colabora com as Forças Armadas da Ucrânia, enquanto se aguardava a decisão da família no que diz respeito à disposição do corpo e respetivo transporte para o exterior da Ucrânia.
Érica Natário, de 21 anos, natural de Macedo de Cavaleiros, é a única filha de João Natário e contou que foi há cerca de duas semanas que soube da notícia.
“Só agora, um ano depois, é que encontraram, as ossadas suponho, ou algo assim de género, e fizeram um exame, para confirmar realmente que era o corpo do meu pai. Eu tive a informação através do Consulado, ou seja, da Embaixada Ucraniana, e depois também tive informações da minha avó que entrou em contato comigo, a dizer que já tinham encontrado o corpo do meu pai. Mas quem me informou foi o Consulado”, conta a jovem.
O corpo de João Natário foi cremado e as cinzas serão depois enviadas para França, como autorizou a filha.
“O pai acabou por ser cremado, com uma autorização da minha parte, e só estamos mesmo à espera para que possam ser transferidas as cinzas para a França, que era onde ele queria ficar. O corpo do meu pai foi encontrado e o meu pai pode ser devidamente homenageado”, explica.
Em e-mails trocados com Érica, a Embaixada afirma que desconhecia e não foi informada de que João Natário teria uma filha, razão pela qual não foi estabelecido contacto, com ela até à data. O único ponto de contacto registado nas Forças Armadas da Ucrânia era apenas com a mãe da vítima, que se encontra em França emigrada há vários anos.
Mas posteriormente, foram consultadas as entradas referentes ao militar, na plataforma de Registo Civil do Instituto de Registos e Notariado, tendo sido então verificada a existência da filha.
Desta forma, o procedimento de transcrição do óbito e de autorização referente à disposição e transporte do corpo, até então feito em coordenação com a mãe de João Natário, foi de imediato suspenso, visto que as decisões pertencem, em primeira linha, à familiar mais próxima e descendente direta.
“A Embaixada até me mandou vários e-mails a dizer que não tinha conhecimento da filha, do senhor João, do meu pai, só teve agora quando entrou no processo dele aqui em Portugal é que souberam dessa situação. Mas eles já tinham mantido contato com a minha avó, que não partilhou essa informação. E a minha avó também me disse que não sabia sequer que eu estava registada pelo meu pai, mas estou, por isso é que ela teve obrigatoriamente de entrar em contacto comigo, porque precisa da minha assinatura para mexer em qualquer tipo de papel.”
Apesar de João Natário, ter-se mudado há vários anos para a França, sempre manteve contacto com a filha, inclusive, quando se encontrava em solo ucraniano.
“Não era diário, porque como estava no meio da guerra não era diário, mas sim, ele ligava e mandava-me mensagem sempre que podia. Estava sempre a dizer-me que ia correr tudo bem, para não me preocupar. Dizia que não tardava a acabar. Ele sempre esteve em várias missões. Ele sempre gostou daquilo, já tinha ido para o Iraque e Síria e esta foi mais uma e foi a que correu mal”, recorda Érica.
Neste momento, Érica Natário aguarda pela certidão de óbito.
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Esses sim são heróis portugueses e enfrentam um inimigo poderoso…, as honras verdadeiras devem ser para quem combate.