Álvaro Santos vence eleições para a CCDR-Norte e expõe divisões internas no PSD

Álvaro Santos é o novo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), para um mandato de quatro anos, sucedendo a António Cunha, após vencer as eleições realizadas esta segunda-feira.

O ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia conquistou 56,2% dos votos, enquanto o presidente cessante, António Cunha, ficou abaixo dos 40% do colégio eleitoral do Norte, apesar de se ter recandidatado de forma independente e de contar com o apoio público de cerca de 50 personalidades num manifesto de interesse.

Álvaro Santos, candidato que contou com o apoio do primeiro-ministro, Luís Montenegro, agradeceu o apoio recebido por parte dos autarcas, sublinhando que este é um projeto de mudança para a região Norte:

O novo presidente da CCDR-N apontou ainda as principais prioridades do seu mandato:

Questionado sobre as necessidades do interior, Álvaro Santos criticou o baixo nível de execução do Programa Regional NORTE 2030, que à data se situa nos 8,3%. Trata-se de um instrumento financeiro com um envelope global de 3,4 mil milhões de euros, disponível até 2027.

Perante este cenário, garantiu que a sua liderança será exigente na aplicação dos fundos comunitários, assumindo a CCDR-N como um parceiro ativo e não apenas um executor:

No âmbito das eleições nas Comunidades Intermunicipais, foi eleito vice-presidente da CCDR-N Ricardo Bento, pró-reitor para o Planeamento, Território e Património da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Será ainda nomeado um segundo vice-presidente, dependente das eleições do Conselho Regional. No total, a CCDR-N contará com sete vice-presidentes, responsáveis por áreas setoriais como educação, saúde, ambiente, cultura e agricultura, a nomear pelo Governo.

Dos 86 municípios integrados na CCDR-N, 53 votaram em Álvaro Santos e 33 optaram por António Cunha. De destacar que três câmaras lideradas pelo PSD — Terras de Bouro, Mogadouro e Vila Nova de Foz Côa — votaram no candidato derrotado, o que, segundo o jornal ECO, evidencia dissidências entre algumas estruturas locais do PSD e a direção nacional do partido.

Em Terras de Bouro, António Cunha obteve 32 votos, em Mogadouro 46 e em Vila Nova de Foz Côa 26 votos.

Álvaro Santos afastou ainda a ideia de que esta eleição represente o início de um processo de regionalização, esclarecendo que o modelo se mantém inalterado.

A tomada de posse deverá ocorrer dentro de cerca de duas semanas.

O ato eleitoral envolveu mais de 10.700 eleitos locais, com participação dos 278 municípios do território continental.