O aumento do preço dos combustíveis continua a fazer-se sentir no dia a dia de muitas profissões e empresas. O impacto vai desde o transporte de pessoas e mercadorias até aos serviços de emergência.
A Rádio Onda Livre foi ouvir quem sente estes aumentos no terreno. Nesta reportagem reunimos testemunhos de um taxista, do comandante dos bombeiros, de um empresário de transportes nacionais e internacionais e ainda de um empresário do setor alimentar e de bebidas.
Manuel Pinto, taxista há cerca de 40 anos, explica que tem vários contratos com entidades públicas que não permitem atualizar rapidamente os preços, o que dificulta a adaptação aos aumentos do combustível. A preocupação é evidente:
O taxista refere ainda que gasta mensalmente cerca de três mil a três mil e quinhentos euros em combustível para manter os veículos a trabalhar, um valor que poderá aumentar significativamente caso a subida dos preços se mantenha.
No setor dos transportes rodoviários de mercadorias, a situação também é motivo de preocupação. O empresário, João Dias, da empresa de transportes A.J. Dias, conhecida como Transportes Lebre, com 15 funcionários, explica que o consumo de combustível da empresa é muito elevado e que qualquer subida tem impacto imediato nas contas:
Também no setor da distribuição alimentar os efeitos começam a sentir-se. Fernando Cadete, dos Armazéns da Santa, empresa que faz distribuição de produtos alimentares e bebidas em várias regiões do interior do país, afirma que a subida do combustível já se reflete nos custos da atividade:
O empresário refere que a empresa tem 13 viaturas em circulação e que a subida do combustível acaba por refletir-se em toda a cadeia de distribuição.
Nos serviços de emergência, como os bombeiros, o impacto também é significativo. O comandante dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros, João Venceslau, sublinha que o socorro à população não pode parar, mas reconhece que o aumento dos combustíveis pesa na gestão das corporações:
Segundo o comandante, os combustíveis representam atualmente cerca de 20% dos custos operacionais da atividade dos bombeiros, sendo uma preocupação partilhada por muitas corporações em todo o país.
Entre transportes, distribuição, táxis e serviços de emergência, a subida dos combustíveis está a aumentar a pressão sobre empresas e instituições. Para muitos profissionais, o receio é que novos aumentos agravem ainda mais os custos e coloquem em risco a sustentabilidade de várias atividades essenciais.

