O Ministério da Saúde pretende transformar a base aérea do helicóptero do INEM, em Macedo de Cavaleiros, numa base logística de retaguarda.
A decisão, segundo declarações recentes da Ministra da Saúde, insere-se numa reorganização do Serviço de Helicópteros de Emergência Médica, que prevê a centralização da primeira intervenção no litoral.
A preocupação foi levantada pelo deputado Alfredo Preto na última Assembleia Municipal.
Questionado sobre o tema, o presidente da Câmara Municipal, Sérgio Borges, afirma que já transmitiu as preocupações ao gabinete da Ministra da Saúde e que não compreende a decisão, sublinhando a importância desta base para o socorro no Nordeste Transmontano:
O autarca reforça que o helicóptero do Instituto Nacional de Emergência Médica, sediado em Macedo de Cavaleiros, foi o mais acionado do país, com 151 ocorrências entre 1 de julho e 31 de dezembro, de acordo com dados recentes do instituto:
Sérgio Borges considera ainda incompreensível esta decisão numa altura em que o município está a investir cerca de dois milhões de euros numa base de apoio logístico, classificando a medida como um retrocesso:
O Município admite avançar com uma contestação formal a esta decisão, que considera prejudicial para as populações do interior.
Também os deputados do Partido Socialista já manifestaram oposição à medida, alegando que “viola o acordo estabelecido em 2016 entre os 12 municípios do distrito de Bragança, a Administração Regional de Saúde do Norte e o INEM”, que garantia a manutenção do helicóptero naquele local, com todos os meios necessários ao seu funcionamento.
A deputada Júlia Rodrigues considera que, a concretizar-se, a medida representa uma irracionalidade geográfica, defendendo que um helicóptero sediado no interior permite um raio de ação de 360 graus em território nacional, ao contrário do que sucede com a concentração no litoral.
Os deputados alertam ainda que esta alteração poderá aumentar os tempos de resposta no Nordeste Transmontano, colocando em risco a assistência a doentes críticos.
Para Júlia Rodrigues, a eficácia do sistema de emergência médica pré-hospitalar em territórios de baixa densidade depende diretamente do tempo de resposta, sendo o helicóptero um recurso essencial, tendo em conta a distância aos grandes centros hospitalares, maioritariamente localizados no litoral.

