Associação de Solidariedade Social de São Pedro implementa modelo pioneiro de apoio domiciliário

A partir de 15 de junho, começa a ser implementado pela Associação de Solidariedade Social de São Pedro, no concelho de Valpaços, um dos cinco Projetos-Piloto SAD+Saúde que foram aprovados em Portugal, e que vai testar um modelo pioneiro de Serviço de Apoio Domiciliário à população idosa, permitindo que se mantenha no seu meio natural de vida, retardando a institucionalização precoce.

A este projeto pioneiro, que une a Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde, candidataram-se diversas instituições de todo o país, mas apenas cinco foram aprovadas.

Uma delas foi apresentada pela pela Associação de Solidariedade Social de São Pedro que vai agora testar durante 12 meses o seu projeto que tem a particularidade de utilizar uma nova tecnologia que vai permitir uma monitorização contínua, alertas inteligentes, gestão da medicação e acompanhamento diário a cerca de 30 utentes.

O presidente desta Associação revela que será alocada ao projeto “uma equipa multidisciplinar de 12 elementos que vai funcionar em horário alargado, incluindo fins de semana e feriados, sempre que necessário e com assistência 24 horas por dia”.

Leonardo Batista adianta que a novidade é “a tecnologia que está aliada a este novo paradigma de modelo de apoio” que respeita a autonomia das pessoas e incentiva a máxima permanência no seu meio natural de vida. “`Por exemplo, um idoso não ter que ir parar um hospital ou a um centro de saúde todos os dias, porque esta tecnologia consegue controlar, medir o açúcar no sangue e outras situações, isso tudo à distância”, acrescenta.

Esta tecnologia, denominada de RICO – Remote Interactive Companion – é uma aplicação que “funciona com sensores e que permite acompanhar pacientes em tempo real, facilitando a comunicação entre famílias, cuidadores e profissionais de saúde”, explica William Xavier, CEO da Wiseware, empresa que idealizou esta tecnologia.

“Basicamente, olhem para o Rico como sendo um ser humano. Se contratar uma pessoa para olhar pelo idoso, essa pessoa não conhece o idoso, começa a acompanhá-lo, começa a aprender. O Rico é da mesma forma, chega sem noção do que se passa no dia-a-dia e, com sensores, vai aprendendo esse quotidiano e vai criando um padrão, um mundo de envolvência a essa pessoa. Quando houver sinais que não sejam padronizadas, gera alertas”, adianta.

No entanto, William Xavier ressalva: “não queremos alertar já quando acontece algo de errado, mas antes prevendo que daqui por três ou quatro ou cinco semanas já vai haver um problema, ou seja, vamos medir essas alterações e reagir logo. Não queremos esperar, porque o que acontece hoje em dia, quando acontece um problema, já é tarde”, afirma.

O presidente da Associação de Solidariedade Social de São Pedro acredita no sucesso deste projeto pioneiro. “Vamos apoiar-nos em levantamentos que a GNR e as autarquias têm, depois iremos contactar as pessoas e avaliar aquelas que efetivamente necessitam, porque neste projeto tem o máximo de 30 utentes, mas com certeza que vão aparecer muito mais”, diz.

Por cada utente a associação, recebe um valor a rondar os 800 euros por mês, e a comparticipação do próprio utente será variável consoante as condições económico financeiras.

A atividade do projeto-piloto “Sad+Saúde” será monitorizada por uma Comissão de Acompanhamento e Avaliação, de que farão parte representantes do Instituto de Segurança Social, da Direção Executivo do SNS e de organizações do sector social com assento na Comissão Permanente do Setor Social e Solidário.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)

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