Azeitona com boas perspetivas de produção, mas custos pressionam olivicultores

As perspetivas para a próxima campanha da azeitona são positivas em Trás-os-Montes, apesar da persistência das temperaturas elevadas e da falta de água.

Os produtores ouvidos pela Rádio Onda Livre apontam para uma boa produção, mas alertam para o aumento dos custos e para a descida dos preços do azeite na origem.

Nos olivais tradicionais, a falta de precipitação continua, no entanto, a ser uma preocupação. Luís Fernandes admite que, se a seca persistir e não houver chuva em quantidade em setembro e no início de outubro, a produção pode ser afetada:

Já José Castro, da empresa Sá Morais Castro, com olivais nos concelhos de Macedo de Cavaleiros e Mirandela, destaca a importância do regadio. Nos seus olivais, a produção está a evoluir favoravelmente e a campanha poderá até ser antecipada:

A secretária-geral da Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Olivicultores (FENAZEITES), Patrícia Falcão, também antecipa uma campanha superior à anterior, embora sublinhe que ainda é cedo para fazer previsões definitivas.

A responsável admite que Portugal poderá aproximar-se das 180 a 190 mil toneladas, caso não surjam imprevistos meteorológicos:

O cenário é menos favorável quando se olha para os preços. Patrícia Falcão aponta os valores atuais praticados no mercado, que considera insuficientes face ao aumento dos custos de produção:

Também José Castro confirma o aumento dos encargos com fertilizantes, produtos fitofarmacêuticos, combustível e mão de obra.

Segundo o produtor, o preço do azeite tem seguido uma tendência descendente no mercado espanhol, embora a evolução possa sofrer oscilações ao longo do ano:

Para os produtores, o desafio passa agora por garantir água, controlar os custos e valorizar a produção regional.

A FENAZEITES defende também uma maior valorização do azeite proveniente do olival tradicional, com uma diferenciação que permita compensar os custos de produção mais elevados.

A campanha ainda está longe de estar definida. A produção poderá aumentar face ao ano passado, mas o resultado final dependerá das condições meteorológicas nas próximas semanas e da evolução dos preços no mercado.

Fotografia – Sá Morais Castro

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