Conservatório Regional de Macedo de Cavaleiros vai ser estudado em projeto de investigação com equipa internacional

O Conservatório Regional de Macedo de Cavaleiros (CRMC) vai ser objeto de estudo no âmbito do projeto “ECOS”, promovido pelo Centro de Investigação Transdisciplinar em Educação e Desenvolvimento (CITeD), da Universidade Politécnica de Bragança (UPB).

O projeto tem como subtítulo “Conservatório Regional de Macedo de Cavaleiros: um estudo da implementação e do impacto sociocultural do ensino artístico especializado em música” e pretende analisar o impacto da criação do CRMC na sociedade, bem como perceber de que forma esta instituição pode contribuir para a fixação da população.

O primeiro passo será o estudo das práticas artísticas musicais aplicadas, do ponto de vista pedagógico e sociocultural, como explica o investigador principal, Tiago Madalozzo:

“É isso que vamos fazer. Vamos explorar de maneira científica, de acordo com todo o rigor metodológico que isso exige, quais são essas práticas pedagógico-musicais e como é que a comunidade se integra no Conservatório.

Em última análise, queremos perceber como é que o Conservatório pode colaborar com a fixação da população na região, uma vez que já não é necessário deslocar-se para ter acesso a este tipo de ensino com qualidade. E até que ponto este projeto poderá, eventualmente, servir de modelo para outras regiões que tenham características semelhantes do ponto de vista histórico e social.”

O estudo, considerado pioneiro, vai começar em setembro e terá a duração de 12 meses.

Nos primeiros meses, será analisado o processo de criação do Conservatório e o desenvolvimento da instituição. Para tal, serão trabalhados dados quantitativos e qualitativos:

“Em primeiro lugar, num vetor quantitativo, vamos analisar documentos e procurar entender quais foram as atividades realizadas nestes dois primeiros anos, bem como as atividades previstas para o próximo semestre, que se inicia agora em setembro.

Vamos procurar compreender quantos estudantes foram matriculados, quantos docentes existem, qual é a distribuição geográfica, a faixa etária e os dados relativos ao crescimento da diversidade, por exemplo, de instrumentos ou de formações instrumentais que são trabalhadas e ensinadas.

Do ponto de vista qualitativo, vamos também, com a nossa equipa de investigação, observar a sala de aula. Esse é um grande interesse que temos, porque somos todos educadores musicais e queremos conhecer, literalmente, como têm sido feitas as diferentes abordagens pedagógicas no ensino dos diferentes instrumentos e dos grupos.”

A iniciativa conta com a colaboração de uma equipa internacional de investigadores.

Integram o projeto Tiago Madalozzo, doutor em Música e com pós-doutoramento em Educação pela Universidade Federal do Paraná, no Brasil, Simone Braga, doutorada em Educação Musical pela Universidade Federal da Bahia, e Vasco Alves, também doutorado em Música pela Universidade de Aveiro.

Além desta equipa técnica, cerca de 80% do financiamento do projeto será destinado à contratação de um bolseiro de iniciação científica, durante seis meses, como acrescenta o investigador principal:

“Este projeto é financiado pelo CITeD e praticamente 90% do valor que receberá para o seu funcionamento será utilizado para a contratação de um investigador, que será um estudante do curso de mestrado da Universidade Politécnica de Bragança.

Esse estudante integrará a equipa de investigação durante seis meses e poderá contribuir muito com o seu olhar para este projeto. Acabará também por sair com uma formação para investigação muito interessante, porque vai ajudar nas etapas de análise, exploração e recolha de dados. Tudo isso será também uma mais-valia do nosso projeto do ponto de vista formativo.”

Uma das formas de investigação será a realização de entrevistas:

“Vamos também, ao longo dos próximos meses, trabalhar com entrevistas a professores, encarregados de educação, jovens estudantes e adultos que fazem parte da população envolvida no Conservatório, além de pessoas relacionadas com as instituições parceiras.

Com tudo isso, pretendemos elaborar um grande cenário sobre como estas atividades têm sido implementadas e como têm vindo a crescer. Depois, com este cenário quantificado, poderemos analisar de que modo este projeto poderá colaborar para a implementação de outros casos em regiões com características semelhantes.”

O projeto não vai acarretar qualquer encargo financeiro para o CRMC.

O diretor artístico e pedagógico do Conservatório, Vasco Alves, também um dos investigadores do projeto, sublinha que a componente científica permitirá desenvolver reflexões estratégicas e reforçar o potencial da instituição de ensino:

“Do ponto de vista do Conservatório, é uma mais-valia. Nos seus estatutos, o Conservatório tem também a dimensão científica, tal como tem, naturalmente, a dimensão pedagógica, artística e social. Portanto, é uma maneira de contemplarmos esse pilar da nossa ação e de o articularmos com instituições do território, como a Universidade Politécnica de Bragança.

É um projeto que não tem qualquer encargo para o Conservatório, nem qualquer compromisso. É uma mais-valia para nós, que nos coloca como objeto de estudo e só nos pode engrandecer.”

O projeto conta com um financiamento de oito mil euros, através do Centro de Investigação Transdisciplinar em Educação e Desenvolvimento, com apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Fotografia: Brandão

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