Petição exige respostas sobre combate ao incêndio em Vilarinho da Castanheira

A população de Vilarinho da Castanheira, no concelho de Carrazeda de Ansiães, avançou com uma petição para exigir esclarecimentos sobre o combate ao incêndio que atingiu a freguesia e reclamar medidas de apoio pelos prejuízos causados.

A iniciativa do movimento “Isto Não Fica Assim” conta atualmente com mais de 400 assinaturas e será entregue ao Ministério da Administração Interna (MAI).

Os promotores contestam a forma como decorreu o combate ao incêndio e apontam alegadas falhas na coordenação dos meios e no aproveitamento do conhecimento da população sobre o território.

Pedro Correia, porta-voz da petição, critica a atuação da Proteção Civil e, em particular, do Comando Sub-Regional do Douro, que acusa de falhas na coordenação da operação:

“Estamos revoltados porque vimos como as coisas foram feitas. Foi adotada uma estratégia de deixar ver, proteger as casas, confinar as pessoas praticamente todas ao centro da aldeia e bloquear os acessos às propriedades.

Quem quisesse defender aquilo que era seu via-se obrigado a agir como um bandido, a fugir das autoridades, a desrespeitar as autoridades. E, depois disto tudo, sentimos que a Proteção Civil podia ter feito mais. O Comando Sub-Regional do Douro falhou. Abandonou uma frente, para a qual foi alertado por mim.”

O incêndio provocou prejuízos em propriedades agrícolas, com perdas de vinhas, oliveiras, amendoeiras e sobreiros.

Além das compensações pelos prejuízos, os promotores defendem medidas de prevenção e recuperação do território, com intervenção na rede de acessos, criação de corta-fogos e reflorestação:

“Essas ajudas para os proprietários acho que já estão a ser, pelo menos, inventariadas. As associações de agricultores estão a receber os agricultores, para indicarem quais foram os prejuízos que têm.

Mas isso, para nós, não chega, porque não queremos apenas ajudas. Queremos que se planeie o futuro, queremos que sejam criadas condições para isto nunca mais acontecer, desde a reflorestação com sobreiros, à abertura de melhores caminhos onde são de difícil acesso, aos corta-fogos, que sejam planeados e que a população seja informada. Que a população possa defender aquilo que é dela.”

Entre os proprietários afetados está Sidónio Antunes, que afirma ter sofrido prejuízos significativos na sua exploração agrícola.

O proprietário estima os danos entre 150 mil e 200 mil euros, sem contabilizar o trabalho necessário para recuperar a propriedade:

“Foi um reboque, um sistema de gota-a-gota, um sistema de montagem que tinha de morangos, um cabo, enfim. Havia prejuízo. Estão lá mesmo técnicos para mostrar o prejuízo que me deram. Vamos falar na volta dos 150 mil, 200 mil euros, é garantido. Fora o trabalho, fora o trabalho.”

Sidónio Antunes afirma ainda que tentou proteger a propriedade com os próprios meios, mas ficou impedido de aceder ao local durante parte da ocorrência:

“Não houve o apoio de ninguém. Às 10 horas da noite, havia até 30 camiões de bombeiros, ou 20, não faço ideia, mas eu vi-os lá. Eu não posso é contar, também não estive a contar quantos camiões estavam lá.

Nem ninguém se deslocou para me ajudar. A Proteção Civil cortou a estrada em cima e em baixo. E eu não precisava deles para apagar o fogo, eu sozinho apagava o fogo. Deixaram arder. Não tivemos apoio de ninguém, ninguém se preocupou connosco. Era arder, arder e arder. Fecharam a estrada e deixaram arder tudo.

Eu só posso dizer que isto é um país para arder. Não posso dizer mais. É um país para arder. É uma vergonha o que está a acontecer, o que aconteceu no concelho é uma vergonha. Ninguém nos apoiou, deixaram arder tudo.”

A petição será entregue ao Ministério da Administração Interna. Os promotores querem esclarecimentos sobre a operação de combate e reclamam medidas compensatórias pelos prejuízos provocados pelo incêndio.

Pedro Correia diz que o movimento pretende manter a pressão até obter respostas:

“Queremos saber primeiro o que é que aconteceu, porque é que houve esta balbúrdia toda no comando. E depois queremos medidas compensatórias para aquilo que aconteceu.

Se alguém errou, não quero saber se as pessoas são demitidas ou se não são demitidas. Isso não nos compete a nós, isso são outras tarefas. O que queremos saber é o que aconteceu e queremos que a nossa freguesia seja, digamos, indemnizada pelo mal que nos causaram.”

A CIR contactou a Proteção Civil para obter esclarecimentos sobre as críticas relativas à coordenação e atuação dos meios durante o incêndio.

Até ao momento da publicação desta notícia, não foi obtida qualquer resposta por parte da entidade.

Fotografias: “Isto não fica assim”

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