Fim de agosto marca despedida de muitos emigrantes

O final do mês de agosto é sinónimo de despedida para muitos emigrantes.

Depois de uma temporada em Portugal, chega o momento de regressar aos países onde vivem e trabalham. Fazer as malas e deixar para trás família, amigos e a terra natal continua a ser uma das partes mais difíceis do período de férias.

Francisco Fernandes, natural de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, vive em França há 36 anos. Está reformado, mas ainda mantém alguma atividade profissional.

Apesar de viver há várias décadas no estrangeiro, diz que o regresso a França continua a ser difícil:

“Nervosismo. Já me custa ir para França. Pronto, o meu país é aqui, gosto de estar aqui.”

A distância da família é uma das principais razões apontadas por Francisco Fernandes para essa dificuldade:

“É muito complicado, pelo menos para mim é muito complicado. O que mais adoro são os meus pais. O meu pai tem 90 anos, a minha mãe tem 87 e é doente. É isso que me custa mais.”

A despedida prolonga-se também durante a viagem. Francisco Fernandes conta que, nos primeiros quilómetros depois da fronteira, quase não fala com a mulher.

Também Lurdes Gregório vive fora de Portugal há várias décadas. Está no Brasil há mais de 40 anos, país para onde emigrou aos 16.

Foi no Brasil que construiu a sua vida profissional e familiar. Ainda assim, mantém uma ligação próxima à terra onde nasceu, em Gebelim, no concelho de Alfândega da Fé.

Na hora de regressar ao Brasil, a despedida também é marcada pela emoção:

“O Brasil deu-me uma vida muito boa, que eu tenho certeza que, se ficasse em Portugal, não teria a vida que tenho lá. Mas sinto muita tristeza de deixar a aldeia. Claro que gosto de ir lá, não posso ser ingrata, mas é muito doído. Emociono-me sempre que vou embora.”

A ligação a Portugal mantém-se também através dos produtos e das tradições que leva na mala. Mas, além disso, vai também a saudade, segundo Lurdes Gregório:

“Azeite, queijo, lembrancinhas, saudade, principalmente saudade, mas levo bastantes coisas. O que a gente tenta levar para comer lá, leva também para os amigos, para matar a saudade. A gente mora fora, pelo menos eu moro no Brasil, mas com o coração e o pensamento em Portugal, sempre.”

Entre França e Brasil, são histórias diferentes, mas com um ponto em comum: décadas depois da partida, Portugal continua presente na vida destes emigrantes.

E o momento de regressar ao país de residência continua a ser, para muitos, uma das partes mais difíceis das férias.

Escrito por Filipe Ventura Alves com Rui Costa

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