A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) suspendeu, por seis meses, a certificação da organização de formação de pilotos Lusofly Academy de Bragança.
Na comunicação divulgada a 27 de agosto de 2026, a ANAC informou que a decisão resultou da existência de não conformidades persistentes e do incumprimento de planos de ações corretivas previamente estabelecidos.
A suspensão impede a organização de desenvolver a sua atividade durante o período em causa, ficando a manutenção da certificação dependente da regularização das situações identificadas pela autoridade aeronáutica.
Contactada pela Rádio Onda Livre sobre a atual situação da academia e sobre eventuais desenvolvimentos posteriores à decisão, a ANAC afirmou não dispor, nesta fase, de mais informações para prestar além das que já foram publicamente divulgadas no seu sítio institucional, a 27 de agosto de 2026.
A Rádio Onda Livre contactou também vários alunos da Lusofly Academy de Bragança para recolher declarações sobre a situação. No entanto, nenhum aceitou falar, alegando receio de represálias. Um dos alunos contactados referiu que não prestaria declarações devido a “certas ameaças feitas por parte da Lusofly”.
Perante este contexto, a Rádio Onda Livre contactou o diretor executivo da Lusofly Academy, João Roque. O responsável aceitou falar apenas com a condição de que a entrevista não fosse editada, alegando que tem sido alvo de distorções por parte da comunicação social.
Por esse motivo, a Rádio Onda Livre concedeu-lhe cerca de três minutos para prestar os esclarecimentos que entendesse necessários.
João Roque afirma que um fundo estrangeiro tinha previsto um investimento de 10 milhões de euros na academia, em julho, mas que esse investimento não se concretizou:
“Antes de mais, agradeço a oportunidade para poder aqui prestar alguns esclarecimentos. Eu não vou prestar esclarecimentos exatamente sobre tudo, vou apenas focar-me em alguns pontos.
Este projeto nasceu com o objetivo de criar uma academia de excelência, com formação ao mais alto nível. E isso obrigava, obviamente, e obriga, a um determinado montante de investimento. Este investimento foi trabalhado por mim e pelos sócios que eu tinha na altura.
Infelizmente, a dada altura, quase no início deste projeto, foi detetado por mim, por circunstâncias diversas, que até envolveram também um alerta de uma entidade que gere os fundos europeus, porque tinha havido um concurso, ou seja, tínhamo-nos habilitado a fazer algum investimento com fundos europeus, e eu detetei uma irregularidade que tinha sido efetuada nas minhas costas. E fui eu quem travou essa situação.
A partir daí, foi necessário procurar alternativas de financiamento. Estes sócios que eu tive acabaram por deixar a academia e eu fiquei sozinho, dando a cara e assumindo todos os compromissos que haviam sido tratados com diversas entidades, inclusive com os alunos.
Temos plena consciência do investimento que eles fizeram nesta academia. Obviamente, tudo foi feito e tudo tem sido trabalhado para se conseguir.
Tive gente que, entretanto, também tentou, de alguma maneira, apoderar-se da academia e prejudicá-la. Pronto, não quero entrar mais por aí em relação a isso. Tem sido uma luta, muitas vezes até só da minha parte, no sentido de conseguir resolver tudo.
Precisamente quando estávamos a tentar resolver tudo, com a entrada de um investimento na ordem dos 10 milhões de euros, sim, 10 milhões, de um fundo estrangeiro, que iria acontecer durante o mês de julho, surgiram, de forma conveniente, as notícias que surgiram em meados de julho, deixando, obviamente, no ar que há quem esteja interessado em não deixar este projeto andar para a frente.
Há acusações que foram feitas que não correspondem totalmente à verdade. Eu não quero entrar em lavagem de roupa suja, nem o vou fazer, mas é importante as pessoas também serem capazes de assumir as suas responsabilidades, porque os aviões não se produzem sozinhos e têm que ser bem conservados. Houve, se calhar, aqui situações em que isso não aconteceu da parte de quem operava os mesmos, mas eu não vou avançar mais em relação a isso.
O que se passa, efetivamente, é que 10 milhões de euros de investimento, que iam entrar, não entraram por causa destas notícias e da maneira como foram veiculadas.
Portanto, eu pergunto-me se as gentes de Bragança e da região Norte e Nordeste ficam realmente satisfeitas por quem está a querer fazer as coisas de forma séria ser completamente dinamitado, com interesses obscuros que querem só prejudicar e destruir o projeto.
Fomos nós que demos apoio, também, à Câmara de Bragança para a execução do projeto de investimento no aeródromo. Portanto, todo o estudo que foi feito teve grande participação da nossa parte. Fomos, digamos, até um pouco motores, com toda a humildade, para que esse investimento avançasse em Bragança e viesse a ser resolvido nos próximos anos. Esse plano está aprovado já pela ANAC.
Eu lamento imenso tudo aquilo que está a ser feito. No entanto, não desistimos e estamos a continuar a trabalhar no sentido de resolver o assunto.”
A situação da Lusofly Academy de Bragança mantém-se, assim, marcada pela suspensão da certificação determinada pela ANAC.
A direção da academia garante que continua a trabalhar no sentido de resolver os problemas identificados e assegurar a continuidade do projeto.
Fotografia – Lusofly Academy
Temos plena consciência do investimento que eles fizeram nesta academia.
Obviamente, tudo foi feito e tudo tem sido trabalhado para se conseguir.
Tive gente que, entretanto, também tentou, de alguma maneira, apoderar-se
da academia e prejudicá-la. Pronto, não quero entrar mais por aí em relação
a isso. Tem sido uma luta, muitas vezes até só da minha parte, no sentido de
conseguir resolver tudo.
Precisamente quando estávamos a tentar resolver tudo, com a entrada de
um investimento na ordem dos 10 milhões de euros, sim, 10 milhões, de um
fundo estrangeiro, que iria acontecer durante o mês de julho, surgiram, de
forma conveniente, as notícias que surgiram em meados de julho, deixando,
obviamente, no ar que há quem esteja interessado em não deixar este
projeto andar para a frente.
Há acusações que foram feitas que não correspondem totalmente à verdade.
Eu não quero entrar em lavagem de roupa suja, nem o vou fazer, mas é
importante as pessoas também serem capazes de assumir as suas
responsabilidades, porque os aviões não se produzem sozinhos e têm que
ser bem conservados. Houve, se calhar, aqui situações em que isso não
aconteceu da parte de quem operava os mesmos, mas eu não vou avançar
mais em relação a isso.
O que se passa, efetivamente, é que 10 milhões de euros de investimento,
que iam entrar, não entraram por causa destas notícias e da maneira como
foram veiculadas.
Portanto, eu pergunto-me se as gentes de Bragança e da região Norte e
Nordeste ficam realmente satisfeitas por quem está a querer fazer as coisas
de forma séria ser completamente dinamitado, com interesses obscuros que
querem só prejudicar e destruir o projeto.
Fomos nós que demos apoio, também, à Câmara de Bragança para a
execução do projeto de investimento no aeródromo. Portanto, todo o estudo
que foi feito teve grande participação da nossa parte. Fomos, digamos, até
um pouco motores, com toda a humildade, para que esse investimento
avançasse em Bragança e viesse a ser resolvido nos próximos anos. Esse
plano está aprovado já pela ANAC.
Eu lamento imenso tudo aquilo que está a ser feito. No entanto, não
desistimos e estamos a continuar a trabalhar no sentido de resolver o
assunto.”
A situação da Lusofly Academy de Bragança mantém-se, assim, marcada
pela suspensão da certificação determinada pela ANAC.
A direção da academia garante que continua a trabalhar no sentido de
resolver os problemas identificados e assegurar a continuidade do projeto.

