Foram desconvocadas esta sexta-feira as duas greves previstas, para os dias 14 e 28 de setembro, dos trabalhadores do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
A decisão surge depois de uma reunião no Ministério da Saúde, em que estiveram presentes a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e o presidente do INEM, Luís Cabral.
O Instituto recua agora em algumas das medidas que estavam na origem do protesto e assume novos compromissos com o sindicato.
O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, explica que o acordo alcançado garante que a resposta do INEM aos cidadãos não será diminuída:
“O que nos levou a desconvocar a greve foi o acordo que nos dá garantias, não só de que a atual resposta do INEM não sai diminuída, mas também de que foram assumidos compromissos para o seu reforço.”
Entre as medidas acordadas está a decisão de não afetar as transferências hospitalares, isto é, as 56 ambulâncias de emergência médica que estavam previstas para esse efeito.
Segundo Rui Lázaro, para já, a transformação integral das 46 ambulâncias de transporte em viaturas ligeiras será testada através de um projeto-piloto com 15 viaturas.
O sindicato garante ainda ter recebido do Governo a garantia de que, nos locais onde houver perda de capacidade de transporte, será colocada uma ambulância suplementar com uma equipa, nomeadamente no distrito de Bragança.
Rui Lázaro considera que ficam, assim, salvaguardadas as principais reivindicações que motivaram o protesto:
“Nós sentimo-nos satisfeitos, uma vez que a resposta aos cidadãos não só não sai prejudicada, como sai reforçada, e estas eram as nossas duas principais medidas.
Uma vez que ficou também garantido o alargamento da rede de ambulâncias próprias, garantimos também que o concurso que o Governo já tinha anunciado para a contratação de 150 técnicos para o INEM passa para 200, a abrir até ao final do ano.
Portanto, é só avanço, melhoria, reforço e garantias de que a resposta atual não fica diminuída. Era o que nós precisávamos para desconvocar a greve.”
Apesar da desconvocação das paralisações, Rui Lázaro admite que continuam a existir matérias por resolver:
“Deixámos cair um dos nossos pontos, que era garantir que a triagem do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) fosse feita exclusivamente por técnicos de emergência pré-hospitalar.
Aceitámos que os enfermeiros continuem a atender uma parte das chamadas que vêm do SNS24, apesar de ter ficado demonstrado que não tem nenhuma vantagem.”
Para já, o STEPH mostra-se satisfeito e considera que o essencial foi conseguido e que a resposta às populações ficou salvaguardada.
O sindicato desconvoca, assim, as duas paralisações previstas para setembro, depois dos compromissos assumidos pelo INEM e pelo Governo na sequência das reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.

