A Unidade de Ortopedia da Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE), sediada no Hospital de Macedo de Cavaleiros, dispõe de um novo equipamento de imagiologia, considerado único em Portugal, destinado a apoiar as cirurgias realizadas neste serviço.
O novo equipamento será utilizado em articulação com o Mazor X, um braço robótico adquirido pela ULSNE num investimento de 2,6 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da modernização tecnológica do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A primeira cirurgia com recurso ao sistema robótico foi realizada no passado dia 31 de agosto.
O diretor do Serviço de Ortopedia do Hospital de Macedo de Cavaleiros da ULSNE, Afonso Ruano, salienta que o novo aparelho permitirá aumentar a segurança, a rapidez e a qualidade da imagem durante as intervenções à coluna vertebral, possibilitando também abordagens menos invasivas para os doentes.
“Este equipamento vai trazer muito mais segurança. É aquilo a que se chama um intensificador de imagem, só que é um intensificador de última geração.
O que é que nos permite? Poderá vir a ser integrado com o sistema de navegação, que é um passo a seguir, e vai depender da técnica dos dois sistemas existentes.
Vai permitir-nos outra coisa muito interessante, que é a facilidade, a rapidez e a qualidade da imagem que vamos obter dentro do bloco operatório.”
O ortopedista explica as diferenças em relação a um intensificador de imagem convencional, sem esta tecnologia de última geração.
“Para ter uma ideia, com o intensificador tradicional, o técnico tem de se aproximar da mesa, fazer pelo menos dois disparos e, manualmente, fazer estas posições todas.
O sistema permite-nos que o técnico se aproxime, faça os dois disparos e memorize essas posições. O aparelho recua, porque tem GPS incorporado, e, quando estamos na cirurgia e pretendemos ver ou verificar a posição em que estamos, o aparelho vai exatamente para a posição memorizada e repete as mesmas posições.
Isto facilita a vida, dá uma segurança extrema ao procedimento e proporciona-nos uma maior qualidade de trabalho e, volto a insistir, uma segurança muito grande.”
De acordo com o diretor do Serviço de Ortopedia, a aquisição representa um avanço importante para um hospital localizado no interior do país, permitindo disponibilizar à população da região cuidados de saúde com recurso a tecnologia mais avançada.
“Recentemente, quando percebemos que estavam a aparecer novas tecnologias que melhorariam a nossa capacidade de trabalhar com mais segurança e com menor intervenção, ou seja, permitindo realizar intervenções minimamente invasivas e com menos agressividade, descobrimos quer a navegação, quer o sistema robótico.
A navegação permite-nos, através de um sistema informático, saber exatamente onde estamos durante a cirurgia.
O sistema robótico permite dirigir a cirurgia para locais muito precisos e dar-nos uma garantia de fixação e de maior correção, melhorando os níveis de segurança.
Isto permitirá também, na minha perspetiva, tentar atrair mais profissionais para o interior.”
O Serviço de Ortopedia programada foi criado há cerca de 40 anos, em Macedo de Cavaleiros. Atualmente, conta com seis ortopedistas, mais um contratado.
Até 31 de agosto deste ano, tinham sido realizadas 120 cirurgias à coluna vertebral. Afonso Ruano destaca a capacidade de resposta do serviço e estima que, até ao final do ano, o número possa chegar às 200 intervenções.
“Temos aquilo a que se chama uma produtividade muito elevada, também por força do envolvimento das pessoas e da forma como encaramos isto.
E conseguimos, para terem uma ideia, valores que são muito interessantes para qualquer hospital público. Por exemplo, como já falámos, até 31 de agosto já tínhamos operado 120 pacientes à coluna.
É um número muito significativo e, até ao final do ano, deveremos chegar aos 200, o que também é muito relevante. Isto sem contar com as outras patologias, que não param.
Temos ainda a patologia do joelho, da anca, entre outras.
E há uma coisa que se chama, atualmente, em termos de definição das listas de espera, tempo máximo de resposta garantida. Temos a maior parte dos nossos doentes abaixo desse tempo máximo, o que quer dizer que conseguimos responder mais prontamente.”
O novo aparelho de imagem 3D, da Siemens, permite obter imagens durante a intervenção cirúrgica e poderá funcionar de forma integrada com os sistemas de navegação e robótica, contribuindo para uma maior precisão no posicionamento dos instrumentos e implantes.
A integração destas tecnologias poderá ainda evoluir com recurso à inteligência artificial, uma área apontada como um dos próximos passos no desenvolvimento deste tipo de procedimentos cirúrgicos.
Notícia a partir da Entrevista do programa “Ao Sabor do Vento” com Afonso Ruano, diretor do Serviço de Ortopedia do Hospital de Macedo de Cavaleiros da ULSNE da autoria de Eduardo Urze Pires

