Freguesia da Amendoeira tem história contada em livro

Ontem, foi apresentado um livro especialmente elaborado para relatar a história e a cronologia da aldeia da Amendoeira, no concelho de Macedo de Cavaleiros.

A ideia partiu de Hermano Santos, e foi materializada em conjunto com a Associação Amendoeira Viva. “Amendoeira – subsídios para a sua história”, o livro, é assinado por Antero Neto, investigador e etnógrafo, um dos nomes mais altos neste momento na área na região. Ele que nos conta até onde foi possível recuar.

reduzido 3

“Até às Inquisições de 1258. Mas essas Inquisições remetem-nos para datas anteriores a 1220. Ou seja, de certeza absoluta que a Amendoeira já existia antes de 1220, muito possivelmente no século XII.

Em termos etnográficos, as notas principais foram as Fogueiras de Aleluia, também conhecidas como as fogueiras da Páscoa, porque são de sábado de Aleluia. E também o Serrar da Velha e os Casamentos.

No fundo, são tradições que são transversais um pouco a todo o país, sem nenhuma marca especial aqui da Amendoeira. Mas, é importante, porque essas tradições remetem-nos para tempos pagãos. Significa que as raízes são antigas. Neste caso, antiquíssimas, anteriores ao Cristianismo.”

No livro participaram ainda Luís Serra e Manuel Cardoso, ambos com raízes na aldeia. O primeiro fala do avô, Manuel Serra; já o segundo recua ao século XVIII, a um antepassado mais distante, o Padre Manuel Caetano Pinto Morais, estudante em Salamanca e regressado depois à terra.

reduzido 3

Luís Serra: “Sinto-me imensamente honrado e muito feliz por ter tido a oportunidade de falar sobre uma pessoa que eu muito estimava e a quem muito admirava.”

Manuel Cardoso: “Um contributo modestíssimo, acerca de um antepassado meu aqui da Amendoeira, que existiu no século XVIII e que tinha ido estudar para Salamanca nessa altura.

Mas, aquilo que é importante salientar é o facto de haver publicações deste género, que preservem a memória daquilo que são as nossas aldeias. Porque para haver uma verdadeira noção daquilo que pode ser o nosso futuro, e de podermos responder aos problemas que sentimos hoje em dia por vivermos em territórios como estes. É um factor de união, vê-se pelas pessoas que estão aqui hoje, para poder participar neste evento. Por isso, é um factor de progresso, muito importante.

António Gonçalves é presidente da Associação. Antes da entrevista contava que o livro não foi pensado para dar lucro, mas sim para não deixar perder a história da aldeia, que, afinal, tem já muitos anos para trás. Já na conversa gravada, António explica outro porquê do interesse de desenvolver atividades deste género.

reduzido 3

“Vejo por aí muitos sítios onde abrir uma Associação significa abrir um bar. A nós também nos acusam um pouco disso, apesar de eu não concordar. Tentamos distanciar-nos um pouco disso. Bares há muitos. Estas iniciativas é que são interessantes e chamam pessoas.”

A história a levar deste dia, é, pois, que a história, que já é longa, é para preservar, como acrescenta Humberto Trovisco, presidente da Junta de Freguesia.

reduzido 3

“É importante não só para a terra, como para as instituições, a Junta de Freguesia e a Associação, e mesmo para o concelho em si, é sempre bom revivermos o passado.

Acho que todas as freguesias têm história, e a Amendoeira demonstra isso mesmo, com figuras como o General Sepúlveda ou a presença de tropas romanas. Vamos vendo, a cada dia que passa, que a Amendoeira tem uma história que se pode louvar”.

“Amendoeira – subsídios para a sua história”, foi ontem apresentado, com a presença do autor, Antero Neto, que, desta vez, se debruçou sobre o concelho macedense. Contribuíram também Luís Serra e Manuel Cardoso, para contar um passado às gentes do presente, certamente, a pensar num futuro.

IMG_5618

Escrito por ONDA LIVRE