Produtores de alheira mais otimistas após reunião com Secretário de Estado

O secretário de Estado Adjunto e da Economia comprometeu-se a apoiar os produtores de alheira na ajuda a dissociar-se dos produtos regionais da marca de enchidos “Origem Transmontana” ligada a casos de botulismo. A garantia foi dada por aquele membro do Governo, ontem à tarde, após uma reunião, com uma delegação constituída pelo presidente da câmara de Mirandela, pelo líder da Entidade Gestora da Alheira, produtores e ao deputado do PSD, eleito por Bragança, Adão Silva. António Branco refere que se pretendeu com esta reunião criar uma espécie de troika para a recuperação da confiança dos consumidores na alheira, como produto de excelente qualidade

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“Primeiro tem a ver com a clarificação daquilo que foi o primeiro comunicado, um segundo comunicado que esclareça que isto é um caso pontual  associado apenas a uma marca e não tem qualquer ligação com a restante fileira produtiva da região. Em segundo lugar, é necessário, também para o futuro, que as marcas de denominação regional não sejam aceites, isto é, não podem haver marcas que veiculem uma região, como é o caso da palavra “Transmontana” e que ponham em causa toda uma região apenas pela existência de uma marca.

É igualmente necessário recuperar a confiança do consumidor, e aí temos de trabalhar em conjunto, nomeadamente num plano de comunicação, envolvendo, não só os produtores, mas também a Direção Geral do Consumidor, as Comunidades Intermunicipais, enfim, tem de haver aqui, e poderia usar a expressão, “uma Troika” para a recuperação do nosso consumidor. E, finalmente, neste momento há prejuízos e é preciso apoiar as empresas para que consigam ultrapassar. E o governo tem obrigação, através de vários mecanismos que já foram utilizados noutras situações, nomeadamente linhas de crédito, alguns benefícios fiscais,  trabalhar nisso e, também, tentar criar e colocar um projeto de Lei resolução que reponha os problemas financeiros que toda esta fileira tem neste momento.”

Em discussão estiveram os casos de botulismo, que têm estado a ser associados ao consumo da alheira de Mirandela e já originaram quebras de 75 por cento nas vendas destes enchidos. Sónia Carvalho, da empresa “Angelina” revela que o problema já está a afetar os vários fornecedores de matéria-­prima para a confecção da alheira

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“Nós temos fornecedores semanais, por exemplo, no caso da farinha. Produzimos o pão e obviamente que já se sentiu aí uma quebra, assim como o fornecedor da carne, o dos transportes, é um encadeamento constante de uma fileira inteira a montante e a jusante daquilo que nos envolve.”

 

Caso esta crise não passe, há postos de trabalho que podem estar em causa. No entanto, Pedro Caldeira, da empresa “Topitéu”, espera que seja uma situação passageira.

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“Continuamos apreensivos e com medo que isto se vá prolongar por muito mais tempo. Falamos em postos de trabalho que têm de ser colocados noutras posições e dar férias a algum pessoal porque não temos, no fundo, trabalho para lhes dar a fazer tendo em conta a quebra de vendas que existiu. Estamos com algum receio, esperemos que seja passageiro.”

Depois desta reunião, os produtores de alheira parecem mais otimistas na retoma dos índices de confiança dos consumidores, como é percetível nas declarações de Rui Cepeda, da empresa “Eurofumeiro”.

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“É otimista saber que temos o nosso Presidente da Câmara com uma atitude de louvar, está do nosso lado desde a primeira hora, também o deputado da região, o Dr. Adão Silva, esteve connosco, o Secretário de Estado também foi recetivo e todos os organismos em causa estão alertados para o problema e a tentar ajudar-nos a resolver esta situação de desmistificar e dissociar a alheira de Mirandela do problema existente.”

Uma reunião com o secretário de estado adjunto e da economia a deixar os produtores de alheira mais confiantes. Em breve, a mesma delegação pretende agendar uma reunião com a ASAE. É uma luta contra o tempo para dissociar, de uma vez por todas, a fileira da alheira dos recentes casos de botulismo associados à marca comercial “origem transmontana”.

 

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Terra Quente)