PEV quer ter novamente comboios em todo o país

O Partido Ecologista os Verdes continua a lutar para reestruturar a Rede Ferroviária Nacional. Desta vez, e no primeiro dia do governo de Costa, a proposta para criar um Plano Ferroviário Nacional foi aprovada por maioria, ao contrário do que tinha acontecido na anterior legislatura, em que tinha sido chumbada pela maioria PSD/CDS, bancada que hoje votou novamente contra, já como oposição.

Manuela Cunha, da direção nacional do partido, afirma que o primeiro passo é a criação de um documento estratégico, que depois será vertido para o Plano Ferroviário Nacional que pretendem elaborar. As obrigações do projeto estão claras.

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“Um plano que definirá orientações estratégicas para a ferrovia, será partido publicamente e depois daí sairá o plano estratégico nacional. Esta nossa proposta legislativa dá orientações para esse plano, isto é, determina quais são as obrigações que esse plano terá de cumprir e uma delas é que, progressivamente, todas as capitais do distrito tenham ligação ferroviária. Pretende-se que, a rede ferroviária nacional que foi desmantelada, se erga de novo, nas mesmas formas ou com alterações, mas que todas as capitais do distrito voltem a estar ligadas pela ferrovia. Por outro lado, o plano prevê ainda outras questões que terão inúmeras implicações em regiões como Trás-os-Montes porque vai ser reavaliada em todos os ramais, linhas principais e linhas complementares dos ramais. Numa região como trás-os-montes, onde já teve inúmeras linhas ferroviárias como a do Corgo, do Tua, Tâmega, Sabor, Douro, esta última que ainda serve Trás-os-Montes embora parcialmente em serviço pois está desativada a partir do Pocinho. Tudo vai ser reavaliado, não só numa perspetiva de serviço nacional mas também com ligação a Espanha e à rede Internacional.”

Nestes moldes, a ferrovia pode regressar a Trás-os-Montes, bem como a outros pontos do país. Manuela Cunha considera que a reposição de transportes e uma alternativa ao alcatrão podem atrair mais pessoas e mais empresas.

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“Haver menos pessoas foi o grande argumento e ao haverem menos linhas, menos pessoas há. Aqui trata-se de inverter o processo e de repor transportes para que as pessoas possam voltar para o interior, se possam instalar e deslocar ao invés de ficarem isoladas. É também importante para que as empresas possam se instalar no interior.

Este documento, de certa maneira vem ajudar à reflexão sobre tudo isso, para que se discuta e se ponha o plano em pé porque é um documento que reflete e decide as linhas orientadoras para a concretização prática de medidas. Este plano abrange pacote de passageiros, mercadorias, turismo, enfim, tem toda esta óptica. O nosso documento, que foi hoje aprovado, já dá orientações para que se tenha visão integral do transporte ferroviário.”

Manuela Cunha frisa as vantagens de voltar a ter uma ligação ferroviária nas regiões do interior, e fixa alguns prazos para a elaboração deste futuro Plano Ferroviário Nacional.

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“Para as povoações, para todo o desenvolvimento económico a todos os níveis, sejam empresas, produção agrícola e turismo. Obviamente, no prazo de um ano terá de haver um documento estratégico como uma espécie de primeiro documento que dá um ponta-pé de saída para haver uma grande discussão pública dentro do prazo exequível que é de dois, ou dois anos e meio em que esperamos ter um plano nacional também para discussão pública.”

Ainda na ressaca da tomada de posse do XXI Governo, os Verdes conseguiram hoje aprovar na Assembleia da República, por maioria, a criação de um Plano Ferroviário Nacional, um documento considerado pelo partido “estruturante para voltar a erguer uma rede ferroviária que sirva (…) o país”. Este plano prevê também a ligação ferroviária a todas as capitais de distrito e à vizinha Espanha, o que poderá significar, num futuro ainda indefinido, o regresso do comboio a Bragança, que, relembro, não tem ligação ferroviária desde dezembro de 1991.

Fotografia retirada de: https://www.flickr.com/photos/johannes-j-smit/sets/72157625088324264/

Escrito por ONDA LIVRE