Ainda faltam dois dias de Entrudo Chocalheiro, em Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros, mas o recorde de visitantes foi batido logo no início das festividades, Tânia Rei.
Se no ano passado foram 10 mil os visitantes em 4 dias, o Domingo Gordo de 2017 trouxe, de uma só vez, cerca de 12 mil. Um feito histórico, afirma António Carneiro, presidente da Associação Grupo dos Caretos de Podence: “Neste Domingo Gordo de 2017 talvez tenhamos conseguido trazer para cima de 12 mil pessoas. É um feito histórico. O próximo desafio é criar mais condições em termos de logística, porque começa a ficar curto, para uma aldeia que tem 200 habitantes”. António Carneiro que pede ao município “mais apoio ainda” porque chegaram “a um patamar muito alto”, com pessoas a virem de Espanha, França ou Brasil, em busca de um Carnaval “diferente e diferenciado”.
Novos desafios que se avizinham, e que são partilhados pelo município. Para o ano, afirma Duarte Moreno, o autarca de Macedo de Cavaleiros, fica o repto. Até porque “Podence não pode alargar, é uma freguesia rural, mas também é esta genuinidade que procura vem nos vem visitar. Além “de melhores infraestruturas de estacionamento, mais casas de banho e mais restauração”, o presidente da câmara diz que não sabe se é possível melhorar mais, mas “é uma questão bem colocada” quanto àquilo que se pode “apresentar de novo.
Os caretos, esses, estão agradados com tanta visita, porque “é uma sensação espectacular”, disse um deles à Onda Livre. Prometem muito chocalhar até amanhã. E é certo que as expectativas estão muito elevadas este ano.
E entre os 12 mil visitantes, o mais fácil é encontrar alguém de outro concelho, distrito ou país. “É um espectáculo único”, dizem. Um grupo da Corunha, Espanha, garante que se sentem mais ligados ao Norte de Portugal do que ao Norte de Espanha. Vieram pela primeira vez.
Segue o Entrudo Chocalheiro, em Podence. Hoje, há pregões casamentos, a noite da máscara mágica e muita animação musical.
À tarde é ainda apresentado o livro “Caretos de Podence – História, Património e Turismo”, cujo autor é um jovem daquela localidade, Luís Filipe Costa.
Bastou apenas um dia para que o Entrudo Chocalheiro, com os Caretos recentemente classificados como Património Cultural Imaterial de Portugal, batesse o recorde em termos de visitantes. Só ontem terão sido cerca de 12 mil a percorrer as ruas de Podence.
Ainda ontem à tarde, foi apresentado na Casa do Careto o livro “Rituais com Máscara: Podence, Macedo de Cavaleiros”, que é editado pela Progestur.
O volume dedicado aos Caretos de Podence é assinado pela responsável técnica no inventário nacional de Património Cultural Imaterial de Portugal, e que vai dar seguimento ao processo para a cátedra UNESCO. Patrícia Cordeiro, natural do concelho, explica que este é um trabalho simplificado.
“Simplificar um bocadinho a linguagem mais científica e mais complexa que é necessário usar num registo para no inventário nacional. No livro, há uma simplificação da história, tem testemunhos orais, para que as pessoas possam ler, pelas palavras dos habitantes, como era esta festa há 20, 30 anos, e como a vivem hoje.
Este é uma festa de uma aldeia transmontana com pouca gente, e que vive muito do convívio e do reencontro familiar que promove.”
A representar a Progestur esteve Hélder Ferreira, que acredita que a candidatura a solo dos Caretos de Podence é o caminho a seguir.
“Os Caretos de Podence são uma referência nacional. Se mantiverem esta diferenciação e a dimensão que têm… há outros casos na Europa de festas com estas semelhanças e que são património da Humanidade. Penso que faz sentido, e que pode ser mais simples e fácil os Caretos fazerem uma candidatura. Mais não seja, só pelo facto de fazerem a candidatura, que só isso seria uma mais-valia. Penso que têm todas as condições para terem uma candidatura aprovada, talvez não já em 2018, pelo que sei nos próximos anos não será fácil. Mas, nos próximos anos poderão ter uma candidatura aprovada pela UNESCO.”
“Alma Podence”, uma exposição fotográfica de 12 fotografias do vila-realense Lino Silva. Foi inaugurada também ontem, no mesmo espaço.
“Podence tem gente muito genuína, com gente que me acolheu muito bem. Sinceramente, não estaria muito à espera disso, porque este é um evento muito fotografado, tem montes de registos fotográficos. Acho que é uma fonte inesgotável de boas fotografias.
É muito fácil fotografar aqui, e continuar a obter boas fotografias. Por isso, só posso agradecer às gentes de Podence que me acolheram tão bem e me permitiram fazer esta exposição.”
Depois de ter sido apresentado em Lisboa, o livro “Rituais com Máscara: Podence, Macedo de Cavaleiros” foi ontem apresentado na aldeia que retrata. A acompanhar, as fotografias de Lino Silva, que espelham 3 anos de Entrudo Chocalheiro.
Escrito por ONDA LIVRE



