Os professores do distrito de Bragança, Vila Real, Porto, Braga, Viana do Castelo e da Região Autónoma dos Açores estão hoje em greve.
Este é o último dia desta paralisação nacional que começou segunda-feira e foi percorrendo o país faseadamente por regiões.
No distrito de Bragança, a maior parte das escolas de primeiro ciclo e jardins de infância estão fechados, segundo avança Carlos Silvestre, delegado Regional do distrito do Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades (SEPLEU), uma das 10 organizações sindicais envolvidas nesta paralisação:
“Dentro das expectativa que nós tínhamos, a adesão está a ser muito boa.
No distrito de Bragança, a maior parte das escolas do 1º ciclo e jardins de infância estão fechados.
No segundo e terceiro ciclos, e ensino secundário é muito difícil contabilizar, mas no final do dia esperamos ter mais detalhes sobre a adesão dos professores.”
Entre os motivos que estão na origem desta greve, estão a recuperação integral do tempo de serviço, ou seja, nove anos, quatro meses e dois dias, estatuto de carreira de docente, resolução de questões de aposentação, sobrecarga horária e ainda a precariedade.
O dirigente sindical do distrito de Bragança acusa o Governo de estar a enganar os portugueses com mentiras e falsas promessas:
“A principal razão da greve, neste momento, já são as mentiras que o Governo está a colocar em marcha em toda a opinião pública, tentando virar os portugueses contra os professores.
A nossa maior reivindicação é pelo recuperar do tempo de serviço que nos foi roubado, assim com o pedido para que não acabem com o estatuto de carreira de docente.
Temos ainda de fazer passar para a opinião pública todo o mal-estar com a questão das aposentações, um corpo docente envelhecido e uma sobrecarga enorme de trabalho sobre os professores que fazem de tudo para conseguir dar as aulas. Com isto, estamos a prejudicar o futuro de um país.
O Governo deveria estar preocupado que os professores trabalhassem para a educação do país para que as crianças pudessem ser cada vez mais livres, autónomas e independentes, e, na verdade, aquilo que temos feito, é despejar matéria e trabalhar para coisas que perdemos.”
No Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros a adesão à greve está a ter um impacto significativo, principalmente nos 3º e 4º anos que hoje não tiveram nenhuma turma com professor, adianta Paulo Dias, diretor deste agrupamento:
“Está a ter um impacto muito significativo.
Ao nível do primeiro ciclo, não houveram aulas para os 3º e 4º anos e temos três turmas de 2º ano e outra de pré-escolar sem professor. Nos restantes ciclos também temos muito professores a faltar, ainda estamos a fazer as contagens porque nesses casos os profissionais fazem greve de hora a hora.”
Júlia Borges é encarregada de educação de uma aluna do 5º ano que hoje não teve aulas por conta da greve. Uma situação que causa alguns transtornos, diz:
“Não tem qualquer aula. Eu tenho que trabalhar e, por isso, vou ligar ao meu marido para ver se pode vir buscar a menina. Esta situação afeta bastante o quotidiano.”
Esta greve começou segunda-feira e termina hoje no Porto, estando ainda marcada para amanhã, Dia Internacional do Professor, uma manifestação em Lisboa.
Escrito por ONDA LIVRE

